As condições das lavouras de milho da França sofreram forte deterioração na última semana, refletindo os impactos da intensa onda de calor que atinge o país em um momento decisivo para o desenvolvimento da cultura, informou a agência agrícola FranceAgriMer.

Segundo o levantamento, 58% das áreas de milho eram classificadas em condições boas ou excelentes até 29 de junho, queda de 18 pontos percentuais em relação aos 76% registrados na semana anterior. Trata-se do pior índice para o período desde 2013.

O recuo reforça as preocupações dos produtores franceses, que já projetam uma redução de cerca de 30% na produção de milho neste ano, o que poderá levar a safra ao menor nível do século. Além dos efeitos da seca e das altas temperaturas, a queda também reflete a redução da área plantada.

A previsão de tempo quente e seco nas próximas duas semanas tende a agravar o cenário, justamente quando parte das lavouras entra na fase de polinização. Segundo a FranceAgriMer, 16% da safra de milho para grãos já havia atingido esse estágio até a última segunda-feira.

As condições das principais culturas de inverno também pioraram. No caso do trigo mole, principal cereal produzido na França, 68% das lavouras foram classificadas como boas ou excelentes, abaixo dos 74% da semana anterior, embora ainda acima dos 67% registrados no mesmo período de 2025.

Apesar da piora na qualidade, a colheita do trigo avançou rapidamente, alcançando 26% da área cultivada, bem acima da média de 5% observada para esta época nos últimos cinco anos.

Já a colheita da cevada se aproxima do fim. Até a última segunda-feira, 83% da área havia sido colhida, mais que o dobro da média histórica de 39% para o período.