O ministro Zou Chuanming, da Embaixada da República Popular da China, no Brasil, detalhou, nesta quarta-feira (5), no VIII Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, realizado na Embrapa Soja, em Londrina (PR), a visão do país asiático para o futuro das relações comerciais com o Brasil.
Segundo ele, em 2023, o Brasil exportou mais de 100 milhões de toneladas de soja, das quais mais de 70% foram destinadas à China. “A cooperação agrícola sino-brasileira traz benefícios concretos para os dois povos”, diz.
Por um lado, o ministro disse que o fornecimento constante e estável de produtos agrícolas de alta qualidade do Brasil contribuiu para atender às crescentes necessidades chinesas. “Independentemente das mudanças no cenário internacional, a China precisa de produtos de alta qualidade e em conformidade com os requisitos regulatórios do mercado chinês”, afirma.
Neste sentido, para aprofundar a cooperação agrícola, Chuanming reforçou a necessidade de aprofundar a cooperação bilateral nas áreas de inspeção e quarentena, acesso a mercados e facilitação do comércio, criando um ambiente comercial mais estável, fluido e previsível. “Também pretendemos impulsionar a cooperação ao longo de toda a cadeia produtiva, ampliando a cooperação em investimentos nas áreas de armazenagem e logística, processamento de maior valor agregado e aproveitamento de subprodutos”, explica.
Além disso, o ministro pontuou ser importante aproveitar as vantagens das instituições de pesquisa dos dois países e aprofundar em especial os intercâmbios e a cooperação nas áreas de melhoramento genético da soja, agricultura digital, biocombustíveis e prevenção e controle de pragas e doenças.
Visão do mercado
Túlio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) afirma que entre 2005 e 2023, a participação da China nas exportações totais do Brasil subiu de menos de 6% para 28% — superando a soma destinada aos Estados Unidos e União Europeia. “A China foi o único parceiro comercial do Brasil a ultrapassar os U$ 100 bilhões em exportações em um só ano, uma marca histórica não só no comércio bilateral, mas no comércio exterior brasileiro de forma geral”, ressaltou Cariello.
Atualmente quase 80% de toda a soja que o Brasil exporta vai para a China, uma das maiores participações da história. “O “Efeito China” é composto de um processo de urbanização acelerada e o aumento da classe média, que hoje equivale a cerca de 500 milhões de pessoas (mais do que o dobro da população brasileira), gerando uma demanda muito mais sofisticada por alimentos, avaliou Cariello.
De acordo com o diretor da CEBC, até 2035, a China prevê aumentar a produção doméstica, elevando a autossuficiência de 20% para 30%. “Porém, a China continuará dependendo largamente do mercado externo para o suprimento de soja, e o Brasil, por sua competitividade e posição geopolítica, continuará bem posicionado”, defendeu Cariello.
Segundo ele, os caminhos para o agro brasileiro no mercado chinês dependem de agregar valor às exportações e diversificar mercados de exportação, assim como investir em inovação e eficiência produtiva. “Também precisamos aumentar a produtividade sem expandir a fronteira agrícola, minimizando impactos ambientais. E ainda, fortalecer a rastreabilidade e a sustentabilidade da produção”, concluiu.