As condições de El Niño seguem se intensificando no Oceano Pacífico e a probabilidade de o fenômeno atingir a categoria de Super El Niño entre outubro e dezembro deste ano subiu para 81%, segundo atualização divulgada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A expectativa é de que o evento persista até o início de 2027, elevando o risco de alterações significativas nos padrões climáticos em diversas regiões produtoras do mundo.
De acordo com a análise, desde a segunda semana de junho o Pacífico Equatorial apresenta um El Niño de intensidade moderada, com anomalias da temperatura da superfície do mar (TSM) entre +1,1°C e +1,2°C. Além do aquecimento das águas superficiais, foram observadas temperaturas acima da média nas camadas subsuperficiais do oceano e a atuação de ventos de oeste, condições que favorecem a continuidade e o fortalecimento do fenômeno.
Os modelos climáticos indicam que o pico do El Niño deverá ocorrer entre outubro e dezembro, com anomalias da temperatura da superfície do mar variando entre +1,9°C e +2,4°C. Caso esse cenário se confirme, o episódio poderá figurar entre os mais intensos desde o início dos registros modernos, ao lado dos eventos de 1972/73, 1982/83, 1997/98 e 2015/16.
No Brasil, os primeiros efeitos do fenômeno já começaram a ser observados no fim de junho, com a formação de um bloqueio atmosférico sobre a região Sudeste, dificultando o avanço das frentes frias e concentrando as chuvas entre o norte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A expectativa é de que a influência do El Niño se torne mais evidente a partir de setembro.
Para a região Sul, a previsão aponta aumento das chuvas, com maior risco de tempestades e episódios de precipitações intensas. Já na região Norte, a tendência é de redução do volume de chuvas, o que pode comprometer o início do inverno amazônico, período normalmente mais chuvoso entre dezembro e maio. No Centro-Sul, a partir de outubro, os modelos indicam redução das precipitações na porção norte da região e maior frequência de chuvas na porção sul, além da manutenção de temperaturas acima da média, elevando o potencial para ocorrência de ondas de calor durante a primavera.
No cenário internacional, a NOAA também projeta impactos sobre a Ásia. As monções deverão enfraquecer principalmente na Índia e na Indonésia, enquanto Tailândia e Vietnã tendem a sofrer efeitos mais limitados do fenômeno.