O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) discutiram novas formas de reforçar medidas de segurança jurídica e comercial das exportações brasileiras de café, na última semana, em Brasília.

As entidades avançaram na criação de uma agenda conjunta com órgãos do governo federal. O movimento ocorre em meio a preocupações do setor com possíveis barreiras comerciais, especialmente nos Estados Unidos, um dos principais destino do café brasileiro.

Medidas como ordens administrativas podem bloquear cargas quando há suspeitas de irregularidades trabalhistas na cadeia produtiva. Na prática, essas restrições podem gerar atrasos logísticos, aumento de custos e até devolução de mercadorias, elevando a percepção de risco entre importadores.

O cenário se intensificou após denúncias feitas por autoridades norte-americanas em 2025 que apontavam, de forma generalizada, o uso de trabalho forçado na cafeicultura brasileira — avaliação contestada pelo setor.

Para mitigar esses riscos, Cecafé e governo destacam iniciativas como o Pacto do Trabalho Decente, a Mesa do Café e o Programa Trabalho Sustentável, voltadas à promoção de boas práticas no campo e à melhoria das condições de trabalho.

Outro eixo da estratégia é fortalecer a comunicação com mercados internacionais, com base em dados oficiais sobre fiscalização e conformidade trabalhista. A proposta inclui ampliar o diálogo com autoridades estrangeiras e parceiros comerciais, especialmente nos EUA e na Europa.

Segundo o Cecafé, o trabalho conjunto com o governo pode reforçar a credibilidade do café brasileiro no exterior, reduzir riscos de sanções e garantir maior estabilidade para as exportações do setor nos próximos anos.