A onda de calor que atinge a França desde 20 de junho intensificou as preocupações dos produtores de beterraba sacarina com o desenvolvimento da safra 2026/27. Além dos impactos sobre a população, as altas temperaturas e a ausência de chuvas começam a elevar o risco de perdas nas principais regiões produtoras do país.
Maior produtor de beterraba sacarina da União Europeia, a França enfrenta um cenário de estresse hídrico nas lavouras. Segundo agricultores, a continuidade do tempo seco nas próximas semanas poderá comprometer significativamente a produtividade da cultura.
“A água é fundamental para a beterraba sacarina. Se não chover nas próximas duas semanas, será catastrófico”, afirmou Franck Sander, presidente da Confédération Générale des Planteurs de Betteraves (CGB), em entrevista à Reuters.
De acordo com a Météo-France, não há previsão de chuvas para as principais áreas produtoras de beterraba no entorno de Paris e no norte do país pelo menos até 14 de julho.
Segundo Sander, a situação ainda varia entre as regiões. Enquanto algumas lavouras já apresentam folhas secas em decorrência do calor e da falta de umidade, outras ainda resistem melhor às condições climáticas adversas.
Na última projeção divulgada em 26 de junho, a Comissão Europeia estimou a produção de açúcar da União Europeia em 14,13 milhões de toneladas na safra 2026/27, volume 15% inferior ao registrado no ciclo anterior. A redução é atribuída à combinação de uma queda de 9% na área cultivada com beterraba e de um recuo de 6,5% na produtividade média esperada.