Conforme o novo Relatório VIP de clima da DATAGRO, o Brasil e a Ásia vão receber movimentos climáticos distintos durante os próximos sete dias.
No Brasil, as chuvas vão chegar ao longo dessa semana com destaque para o oeste de Santa Catarina e o sudoeste do Paraná, onde os volumes podem variar entre 40 e 60 mm. Nas demais áreas da região, as chuvas devem ficar entre 5 e 30 mm.
Também há previsão de precipitações para o sul de Minas Gerais e o leste de São Paulo, porém com volumes entre 5 e 15 mm, o que deve gerar pouco impacto sobre as operações de colheita do café.
Nas demais regiões do Brasil, a chance de chuva é baixa nesta semana, favorecendo o avanço da safra canavieira, principalmente nas áreas que tiveram um início de safra mais chuvoso, como Paraná, Mato Grosso do Sul e a região de Presidente Prudente, em São Paulo.
Em relação ao milho de inverno, apesar da redução das chuvas no Centro-Oeste, a umidade do solo permanece em boas condições para o desenvolvimento das lavouras. No início de maio, as áreas do Paraná apresentavam os menores índices de umidade, porém as chuvas registradas nas últimas semanas contribuíram para a recuperação dos níveis hídricos.
Quanto às temperaturas, após dias mais frios em grande parte da região Sul e nas porções sul do Sudeste e Centro-Oeste, os valores deverão subir gradualmente ao longo da semana, permanecendo próximos da climatologia.
Dessa forma, apesar do tempo mais seco e da elevação das temperaturas, não há risco de formação de ondas de calor no Brasil. As áreas mais quentes deverão se concentrar no norte do Centro-Oeste e no Matopiba, com máximas próximas de 35°C.
Na Ásia, o principal sistema responsável pelas chuvas na região, as Monções Asiáticas, deverá avançar sobre o estado de Tamil Nadu, no sul da Índia. Historicamente, as monções atingem o território indiano em torno de 1º de junho. Com isso, as primeiras chuvas mais abrangentes poderão ser observadas na Índia.
Também há previsão de precipitações na Tailândia, Vietnã e Indonésia. Essas chuvas são fundamentais para o desenvolvimento das principais culturas agrícolas da região, com destaque para cana-de-açúcar, arroz, milho, café, óleo de palma e borracha.
Em relação às temperaturas, mesmo com as chuvas previstas ao longo da semana, os valores deverão permanecer ligeiramente acimada média no Sudeste Asiático, mas sem risco de formação de ondas de calor
Por fim, o documento destaca que, pela segunda semana consecutiva, a anomalia da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na região de monitoramento do ENSO permanece acima do limite de neutralidade. Segundo o monitoramento da NOAA, as anomalias nas últimas semanas têm variando entre +0,5 e 0,6°C, valor compatível ao início para o desenvolvimento de condições de El Niño.
Os modelos climáticos seguem indicando a intensificação do fenômeno nos próximos meses, com pico previsto entre novembro ejaneiro, período em que poderá atingir intensidade forte e, eventualmente, condições compatíveis com um Super El Niño.
Diferentemente do evento observado entre 2023 e 2024, este El Niño poderá favorecer chuvas não apenas na região Sul, mas tambémem parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Esse cenário poderá impactar o andamento das safras de cana-de-açúcar, cafée milho de inverno.
O comportamento previsto difere significativamente do observado no segundo semestre de 2024, quando ondas de calor intensas etempo seco predominaram em grande parte do país.
Para a região Norte, a expectativa é de redução das chuvas entre setembro e outubro, principalmente em áreas da Amazônia.
No Sudeste Asiático, o El Niño tende a reduzir as chuvas na Índia e na Indonésia, podendo impactar culturas como cana-de-açúcar,arroz e óleo de palma. Já para Vietnã e Tailândia, as previsões atuais indicam volumes de chuva próximos da climatologia.