Sem a obrigatoriedade de vacinar o rebanho bovino contra a febre aftosa, o pecuária no Brasil pouparia um gasto de cerca de R$ 600 milhões por ano. O cálculo é feito por Sebastião Costa Guedes, presidente do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa).

Segundo Guedes, “é um absurdo transferir R$ 600 milhões do bolso do produtor rural para o segmento industrial que, por causa da obrigatoriedade da vacinação, fica em uma situação bem confortável”. A fala do executivo é baseada em estudos do Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (Panaftosa), que considera segura a retirada da vacina após quatro anos sem a ocorrência da doença.
“No Brasil, há áreas que estão livres da febre aftosa há mais de 20 anos, portanto, estamos gastando desnecessariamente na compra e na aplicação da vacina. Precisamos pensar em soluções para deixar de onerar ainda mais o pecuarista”, declara em entrevista à Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).
Ainda sobre a situação atual da febra aftosa no Brasil, ele informou que estudos do CNPC mostram que oito Estados estão sem a ocorrência de aftosa há mais de duas décadas, o que representa em torno de 94 milhões de cabeças; 13 Estados estão sem o foco da doença entre 15 e 20 anos, representando 65 milhões de cabeças; e outros quatro estão sem aftosa entre dez e 15 anos, o equivalente a cerca de 53 milhões de cabeças.
“Ainda temos Santa Catarina, que desde 1999 está livre de aftosa sem vacinação. Portanto, são 4,3 milhões de cabeças sem a doença. Isso baliza nosso pensamento de que retirar a vacinação, além de reduzir os custos, é algo viável e praticável”, reforça Guedes.