A segunda quinzena de julho começou sob influência de um bloqueio atmosférico sobre o Centro-Sul do Brasil, favorecendo tempo seco, temperaturas em elevação e dificultando o avanço das chuvas nas principais regiões produtoras do país. Ao mesmo tempo, a atuação do fenômeno El Niño deve intensificar as precipitações no Sul nos próximos dias, com risco de temporais no Rio Grande do Sul.

Segundo o novo Relatório VIP da DATAGRO, a semana teve início com temperaturas baixas em grande parte do Brasil após a passagem de uma frente fria, que provocou chuvas no Sul e no sul de Mato Grosso do Sul e de São Paulo. A massa de ar polar também favoreceu a ocorrência de geadas nas áreas de maior altitude entre o norte do Rio Grande do Sul e o sul do Paraná.

O relatório destaca que julho vem apresentando volumes de chuva acima do padrão na Região Sul, reflexo do fortalecimento do El Niño. Na última semana, a anomalia da temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial atingiu +1,3°C, caracterizando um evento de intensidade moderada. Até a primeira quinzena do mês, as áreas produtoras de grãos da região acumularam, em média, 40,5 mm, o equivalente a 36% da média histórica de julho. Santa Catarina concentra os maiores volumes, com 133,4 mm, ou 91% da normal climatológica do estado.

As chuvas também vêm atrasando a colheita do milho de inverno no Paraná. Até 10 de julho, os trabalhos haviam alcançado 19% da área, abaixo da média dos últimos cinco anos (28,4%) e do registrado no mesmo período de 2025 (42%) e de 2024 (70%).

Para os próximos dias, a DATAGRO projeta rápida elevação das temperaturas devido à atuação de ventos quentes vindos do norte. As máximas poderão atingir entre 34°C e 36°C no Paraguai, Centro-Oeste brasileiro e região do Matopiba. A partir de sábado (18), a aproximação de uma nova frente fria deve provocar tempestades sobre o Sul do país, principalmente no Rio Grande do Sul, onde os acumulados poderão chegar a 300 mm entre sábado e segunda-feira (20), aumentando o risco de alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. Na semana seguinte, as chuvas devem avançar para Santa Catarina e o sul do Paraná, com volumes superiores a 100 mm.

No Sudeste, o bloqueio atmosférico deverá manter o tempo firme ao longo dos próximos dias. A primeira quinzena de julho registrou apenas 5,4 mm de chuva, em média. As temperaturas máximas poderão variar entre 30°C e 32°C, especialmente no estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro. A colheita do milho de inverno também segue atrasada, alcançando 10% da área em São Paulo e 15% em Minas Gerais, ambos abaixo das médias históricas.

No Centro-Oeste, o cenário também é de predomínio de tempo seco. A região acumulou apenas 5,0 mm de chuva em julho, enquanto as temperaturas poderão superar 34°C nos próximos dias. O Mato Grosso já colheu 62% da área de milho de inverno, próximo da média histórica, enquanto Goiás (13%) e Mato Grosso do Sul (8%) seguem com ritmo inferior ao normal.

Já no Matopiba, a previsão permanece de continuidade do padrão seco observado desde maio, sem expectativa de chuvas significativas no curto prazo, cenário considerado típico para esta época do ano.

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