O Brasil registrou, no primeiro trimestre de 2026, o maior déficit da série histórica da balança comercial de pneumáticos, iniciada em 1997. Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela DATAGRO mostram que o saldo negativo alcançou 168,56 mil toneladas nos primeiros três meses do ano, já superando os déficits acumulados ao longo de todo o ano de 2021 e de 2022.

Em março, as exportações brasileiras de pneumáticos somaram 19 mil toneladas, queda de 7,28% em relação ao mês anterior. Apesar do recuo mensal, o volume embarcado acumulado nos últimos 12 meses apresentou crescimento de 17,22%, totalizando 249,31 mil toneladas. A receita cambial acompanhou esse movimento: atingiu US$ 97,22 milhões no mês, com retração de 7,91%, mas acumulou US$ 1,27 bilhão em 12 meses, alta de 16,49%.

Do lado das importações, o país recebeu 77,41 mil toneladas de pneumáticos em março, um aumento de 11,97% frente a fevereiro. No acumulado de 12 meses, as compras externas chegaram a 747,73 mil toneladas, avanço de 16%.

Segundo a DATAGRO, os preços médios dos produtos importados registraram leve alta na comparação mensal, mas permanecem significativamente abaixo dos níveis de um ano atrás, especialmente nos segmentos de carga e de passeio — que juntos representaram mais de 80% do volume importado no mês.

Entre os pneus de passeio, o preço médio caiu 9,87% em relação ao ano anterior, para US$ 2,66 por quilo, apesar de uma alta mensal de 1,23%. Já os pneus de carga tiveram recuo ainda mais acentuado: queda de 19,46% no comparativo anual, para US$ 2,72 por quilo, mesmo com leve avanço de 0,52% frente a fevereiro.