A Austrália deverá produzir 31,0 milhões de toneladas de trigo na safra 2026/27, segundo novo relatório do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Camberra. A estimativa supera a previsão anterior, de 29,0 milhões de toneladas, e fica 7% acima da média dos últimos dez anos.
A projeção para a área colhida foi mantida em 11,8 milhões de hectares.
Segundo o relatório, a revisão para cima da produção reflete as condições climáticas favoráveis registradas no início da temporada, que elevaram a expectativa de produtividade média nacional.
Apesar do cenário positivo até o momento, o USDA ressalta que o desempenho da safra ainda dependerá das condições climáticas durante a primavera australiana. O documento alerta que a possibilidade de formação de um El Niño, já sinalizada pelo Bureau of Meteorology (BOM), representa um risco relevante para a produção.
Caso o fenômeno se intensifique ao longo do segundo semestre de 2026, há expectativa de condições mais secas do que a média nas principais regiões produtoras de trigo do leste da Austrália, o que poderá limitar o potencial produtivo.
No mercado interno, o consumo de trigo está projetado em 6,5 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da estimativa revisada para 2025/26, embora permaneça acima da média histórica.
De acordo com o adido, a demanda doméstica segue sustentada principalmente pelo setor de alimentação animal. Mais da metade do trigo destinado à pecuária é consumida por confinamentos de bovinos de corte, com demanda adicional proveniente das cadeias de produção de leite, suínos e aves.
No comércio exterior, as exportações australianas de trigo foram estimadas em 24,5 milhões de toneladas em 2026/27, acima das 23,0 milhões de toneladas projetadas anteriormente. A revisão reflete a perspectiva de maior oferta exportável decorrente da melhora na produção.
Se confirmada, a estimativa representará um aumento de 1,5 milhão de toneladas em relação às 23,0 milhões de toneladas embarcadas em 2025/26, embora ainda permaneça abaixo dos volumes recordes registrados nas safras excepcionalmente produtivas dos últimos anos.