O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou, nesta terça-feira (23), a ata da sua última reunião, realizada na quinta-feira passada (18), que deliberou por um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano.

Segundo o documento, o reajuste não representa uma mudança na postura cautelosa da autoridade monetária diante de um cenário ainda marcado por inflação elevada e aumento das incertezas externas.

Na avaliação dos diretores, o ambiente internacional continua adverso em razão dos conflitos no Oriente Médio e das incertezas sobre a política econômica dos Estados Unidos, fatores que elevaram a volatilidade dos mercados e dos preços de commodities.

No cenário doméstico, o Copom destacou que a atividade econômica apresentou aceleração no primeiro trimestre, com mercado de trabalho resiliente e setores mais sensíveis à renda mantendo desempenho robusto. Ao mesmo tempo, as últimas leituras da inflação surpreenderam negativamente, levando o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) a superar o teto da meta.

As projeções da autoridade monetária também permanecem acima do objetivo inflacionário. A expectativa para a inflação de 2026 está em 5,2%, enquanto a projeção para o quarto trimestre de 2027 — horizonte relevante para a política monetária — alcança 3,7%, acima da meta de 3%.

A ata ressalta ainda que as expectativas de inflação seguem desancoradas e que esse cenário exige uma política monetária mais restritiva por mais tempo. Para o Comitê, o custo de trazer a inflação de volta à meta aumenta quando agentes econômicos passam a projetar índices persistentemente elevados.

Durante as discussões, os membros do Copom avaliaram alternativas para a trajetória dos juros, mas concluíram que movimentos bruscos na Selic poderiam gerar volatilidade excessiva nos mercados. O colegiado reforçou, por fim, que os próximos passos dependerão da evolução da inflação e dos efeitos econômicos dos conflitos geopolíticos.