A Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) projeta uma área semeada de 6,5 milhões de hectares de trigo na Argentina na safra 2026/27, conforme o informe pré-campanha divulgado pelo órgão agrícola nesta quarta-feira (22).
O número representa uma queda anual de 3%, mas ainda fica 2,8% acima da média das últimas cinco temporadas.
Na última temporada, a Argentina produziu uma safra recorde de trigo de 27,8 milhões de toneladas, com uma área destinada ao cultivo de 6,7 milhões de hectares.
Segundo a BCBA, a decisão dos produtores reflete um cenário misto, com fatores positivos de boa umidade dos solos nas áreas agrícolas e a expectativa de ocorrência de El Niño a partir do inverno, o que deve favorecer a produtividade da safra.
Por outro lado, o otimismo climático é limitado por um ambiente econômico desafiador, especialmente devido aos altos custos de insumos, com destaque para a ureia.
De acordo com a BCBA, houve uma mudança no foco da decisão de plantio: “neste ciclo, o foco se desloca para a rentabilidade e o custo dos fertilizantes”, o que tende a restringir a área destinada ao grão.
Do ponto de vista climático, a safra 2026/27 deve ser marcada pela transição para um evento de El Niño. O cenário esperado inclui um início com umidade mais limitada e risco de geadas precoces, à medida que a fase final deve ter maior disponibilidade hídrica, favorecendo o desenvolvimento das lavouras.
Em síntese, a BCBA avalia que o potencial produtivo será elevado, desde que o estabelecimento inicial da cultura ocorra de forma adequada. O desempenho da safra dependerá, portanto, da combinação entre condições climáticas e evolução dos custos de produção ao longo do ciclo.