A produção do segmento de FFLVO [Frutas, Flores, Legumes, Verduras e Ovos] tem como categoria protagonista a agricultura familiar. O produtor de pequeno porte naturalmente trabalha com baixa escala. Logo, para viabilizar sua operação precisa buscar diferenciação.
Nesta agenda, investir em agregar valor ao produto [beneficiando-o, obtendo certificações, ou seja, descomoditizá-lo]; desenvolver marca; costurar parcerias; usar de criatividade no ponto de venda são estratégias para atrair a atenção do consumidor no varejo. Este foi o cenário traçado por especialistas, durante o “Fórum IFPA – FFLVO para Supermercados”, promovido pela International Fresh Produce Association (IFPA), na APAS Show 2026, encerrada na última quinta-feira (21), na capital paulista.
Representando o segmento de ovos, Guilherme Armanhe, proprietário da marca Label Rouge, disse que o “pulo do gato” do seu negócio foi apostar forte na diferenciação. “Para fugir da briga por preço, investimos num produto de qualidade, o ovo caipira, que tem gema bem vermelha, clara mais consistente, menos cheiro que o tradicional ovo branco”, ressaltou. Esta jornada, complementou o executivo, envolveu ainda o manejo das galinhas [criadas soltas, e não em gaiolas, numa prática de bem-estar animal]; bem como o uso de formatos e embalagens diferentes do padrão de mercado [dez unidades, e não uma dúzia, em pacotes coloridos, saindo do lugar-comum dos recipientes de papelão]. “Saímos do ovo commodity para trabalharmos em um nicho de alto valor”, assinalou.
Já José Eduardo Carmagnani, contou o caso da Zespri Brasil – importadora de kiwis -, mas em um exemplo que pode funcionar – e bem – para a agricultura familiar nacional. O representante da marca discorreu sobre uma campanha de marketing, que foi baseada em um modelo de embalagem que remetia às vitaminas em pastilhas comercializadas em farmácias. “Com este formato, quisemos mostrar que a vitamina C que o consumidor precisa está ali, naturalmente na fruta, que foi embrulhada como se fosse uma vitamina em cápsula. “Depois desta ação, mais de 60% dos consumidores passaram a reconhecer a marca pela embalagem, reforçando o papel do branding no segmento.”
Na floricultura, Simone van Oene, da Joost Kalanchoe, salientou a necessidade de transformar as flores em categoria vendável durante todo o ano, utilizando organização do ponto de venda e comunicação emocional para gerar conexão com o consumidor. Ela defendeu a regionalização do calendário, com datas secundárias – além dos carros-chefes Dia da Mulher e das Mães. “Foi o que fizemos, por exemplo, com o feriado da revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, onde conectamos a data com as flores.”
Em debate, que foi moderado pelo diretor da GS1 Brasil, Nilson Gasconi, que lembrou da importância de ferramentas dedicadas à originação e rastreabilidade, com destaque para a tecnologia do código de barras, Rafaela Fava, da Bananas Fava, recordou, ainda, que o mercado requer cada vez mais a necessidade de os compradores do varejo conhecerem de perto a realidade e particularidades da produção agrícola.