O aumento no preço dos combustíveis poderá agravar os níveis de fome numa escala global. O alerta foi feito pelo Programa Mundial de Alimentos, WFP, durante o fim de semana, diz o “ONU News”.
:: Poder de compra
Em comunicado, divulgado simultaneamente no Cairo, em Beirute e Roma, a agência da ONU afirmou que a subida de preços foi escalada pelo conflito no Oriente Médio. Desde os ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irã, em 28 de fevereiro, a violência tem causado mortes, destruição e deslocamentos em massa.
O ataque ao Irã e a resposta do país com contra-ataques está gerando consequências arrasadoras para os civis. O conflito interrompe as cadeias de suprimentos, aumenta os custos e enfraquece o poder de compra das famílias e leva a mais insegurança alimentar.
O Programa Mundial de Alimentos, WFP, divulgou uma série de ajustes às operações de emergência em toda a região. No Líbano, por exemplo, está ocorrendo um deslocamento interno massivo na população que já enfrenta altos níveis de insegurança alimentar.
:: Duplos gargalos
As pressões econômicas do Irã, que já existiam no país, estão agravando a crise. A alta inflação de alimentos e a rápida depreciação da moeda causam insegurança alimentar e deixam as famílias com capacidade limitada para absorver novos choques.
Em Gaza, o fechamento das fronteiras no início da crise levou à subida acentuada no preço da comida mesmo com a reabertura de algumas passagens.
A agência da ONU ressalta que o conflito no Oriente Médio está gerando “duplos gargalos” sem precedentes afetando mercados de transporte marítimo, energia e fertilizantes.
Uma parcela significativa desses fertilizantes transita pelo Estreito de Ormuz, que está afetado pelos confrontos.
:: Indústria naval
O WFP informou que suas operações também foram atingidas pelo conflito no Oriente Médio. Ao lado do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a agência garantiu o apoio da indústria naval, o que ajudou a evitar mais de US$ 1 milhão em custos adicionais.
As operações humanitárias estão sendo atrasadas pelos tempos de trânsito mais longos com rotas de transporte mais longas e congestionamentos.
O WFP decidiu adaptar as rotas de abastecimento incluindo maior dependência de fornecedores e corredores de trânsito pela Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão, bem como maior uso de rotas terrestres entre os Emirados Árabes Unidos e o Levante, sempre que possível.