O Brasil consolidou sua posição como maior exportador mundial de algodão e já responde por cerca de um terço do comércio global da fibra. Para a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), a manutenção dessa liderança passará pela capacidade do país de ampliar investimentos em infraestrutura logística, aumentar a eficiência operacional e reduzir gargalos que impactam a competitividade das exportações. O tema foi um dos eixos abordados no 2º Cotton Day Santos, realizado nesta terça-feira (23), na Associação Comercial de Santos (ACS).
Promovido pela Associação Comercial de Santos (ACS), em parceria com Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) e Cotton Brazil. o encontro teve como tema “Conectando players, impulsionando soluções e construindo o futuro através do Porto de Santos” e reuniu produtores, exportadores, operadores logísticos, autoridades portuárias, representantes de entidades setoriais e especialistas para discutir soluções capazes de aumentar a competitividade do algodão brasileiro nos próximos anos.
Dados da Anea mostraram que cerca de 85% do transporte do algodão brasileiro ainda é realizado por rodovias, enquanto aproximadamente 95% das exportações passam pelo Porto de Santos, considerado atualmente o maior porto de movimentação de algodão do mundo. Recentemente, segundo a entidade, o país superou a marca de 3 milhões de toneladas exportadas, resultado construído ao longo de mais de duas décadas de investimentos em produtividade, qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade. “É também o resultado de trabalho conjunto entre produtores, exportadores, operadores logísticos, terminais e autoridades públicas. Com isso, aumenta nossa responsabilidade de buscar soluções para manter a competitividade do setor”, afirmou o presidente da Anea, Dawid Wajs.
Já o presidente do Comitê de Logística da Anea, Brenno Queiroz, chamou atenção para a necessidade de ampliar investimentos em modais ferroviários, capacidade portuária e planejamento operacional. “O desafio é garantir que a infraestrutura evolua na mesma velocidade das exportações. O setor já convive com atrasos recorrentes nas operações portuárias, janelas reduzidas para movimentação de contêineres e limitações operacionais que elevam custos e reduzem a competitividade brasileira frente a outros exportadores globais”, explicou.
Durante a apresentação, o executivo lembrou que aproximadamente 40% das exportações brasileiras de algodão são realizadas por terminais certificados pelo ABR-LOG, programa de certificação socioambiental voltado aos terminais retroportuários que operam a fibra. O objetivo da Anea é trabalhar para aumentar esse percentual.