Máquinas antes dedicadas à construção civil passam a ocupar papel central nas operações agrícolas, deixando de ser apoio para se tornarem parte estratégica da produção. O aumento da presença desses equipamentos no agronegócio confirma uma transformação definitiva: o campo incorpora tecnologias e soluções típicas da infraestrutura pesada para ganhar eficiência.

Equipamentos como carregadeiras, escavadeiras, retroescavadeiras e tratores de esteiras deixaram de ser coadjuvantes para se tornarem parte essencial da rotina nas propriedades rurais. Na Agrishow, que acontece até sexta-feira (1), em Ribeirão Preto (SP), as máquinas da linha amarela refletem a crescente profissionalização e a evolução tecnológica do setor.

Dados da Associação Brasileira de Tecnologia e Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) indicam que o agronegócio está entre os principais destinos das 34,5 mil máquinas comercializadas em 2025. O levantamento aponta uma mudança estrutural no setor: a integração de equipamentos antes restritos à infraestrutura como ferramentas estratégicas da produção agrícola.

O diretor de negócios da Armac, empresa especializada na locação de maquinário da linha amarela, Mairon Kerr, destaca uma agenda de “aculturamento tecnológico” do produtor neste segmento. “Os agricultores estão descobrindo que operações antes feitas com maquinários tradicionais “curingas” conta agora com equipamentos mais personalizados, específicos”, explica o executivo da empresa que anunciou na feira parceria estratégica para locação de equipamentos da fabricante  Liu Gong.

“São, por exemplo, tarefas relacionadas a transporte de grãos, fardos de algodão, ração para gado, bem como equipamentos para o desenho de curvas de nível, construção de canais, reservatórios d’ água, e assim por diante”, ressalta o diretor da fabricante JCB, Rafael Cardoso.

Segundo Welington Mitsuda, diretor de vendas da Komatsu, a operação agrícola hoje exige mais ritmo e menos improviso. “Quando há volume para movimentar e prazos para cumprir, o equipamento precisa acompanhar essa demanda sem comprometer o fluxo de trabalho.”

O presidente da Agrishow, João Marchesan, reforça, ainda, que esses equipamentos tornaram-se fundamentais em frentes como manejo de solo, manutenção de vias internas e implementação de sistemas de irrigação e drenagem. “A modernização reflete-se diretamente nos indicadores de produtividade, proporcionando ganho de escala e otimização dos custos fixos”, acentua.