Agricultores da França estão considerando reduzir a área de milho e ampliar o cultivo de girassol diante do aumento dos custos de produção, especialmente de fertilizantes e energia, afirmou o diretor-geral da associação de grãos Intercéréales, Benoît Piétriement, em entrevista à Reuters, publicada nesta quarta-feira (25).

Segundo o executivo, os produtores enfrentam forte pressão de custos, agravada pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

“Tenho ouvido que agricultores estão substituindo o milho por girassol”, afirmou, destacando que o movimento é mais intenso no sul do país, onde há maior concentração de produtores de milho e menor disponibilidade de fertilizantes.

O girassol se apresenta como alternativa mais viável por demandar menor uso de insumos, especialmente fertilizantes e energia, em comparação ao milho — cultura mais intensiva em custos.

A dimensão dessa mudança ainda será definida nas próximas semanas, à medida que se aproxima o início do plantio de milho, tradicionalmente realizado a partir de abril na França.

A possível migração não é inédita. Em 2022, agricultores franceses já haviam ampliado a área de girassol em detrimento do milho, diante da disparada nos preços de fertilizantes e gás após a Invasão da Ucrânia pela Rússia.

Segundo Piétriement, o atual momento pode ser o mais difícil já enfrentado pelos produtores, uma vez que combina custos elevados com preços agrícolas mais baixos — cenário oposto ao de 2022, quando a redução da oferta global impulsionou as cotações dos grãos.