Coincidência ou não – já que o acordo Mercosul-União Europeia começa a valer, ainda que provisoriamente, a partir de primeiro de maio –, os fruticultores europeus, em particular os produtores poloneses de maçãs, preparam uma espécie de contra-ataque, contra a expansão prevista das frutas brasileiras no velho continente, a partir da vigência do tratado.
Nesta semana, em participação na edição brasileira da feira de Anuga – o evento-mãe de alimentos e bebidas é originário da Alemanha -, na capital paulista, a Associação de Distribuidores Poloneses de Frutas e Legumes (Fruit Union) anunciou o início de uma campanha de promoção comercial das maçãs europeias nos mercados brasileiro e colombiano pelos próximos três anos.
Batizada de “Hoje é dia de maçã! Descubra as maçãs de alta qualidade da UE”, a iniciativa é liderada pela Fruit Union, reunindo não só produtores da Polônia – maior produtor europeu -, mas também de toda a Europa, e tem como proposta destacar atributos de segurança sanitária, qualidade e sustentabilidade da fruta europeia. A ação, de peso, conta com apoio financeiro da União Europeia.
Dados mais recentes da Fruit Union indicam que a produção de maçãs na União Europeia, com destaque para as variedades gala, golden e red delicious, atingiu 11,6 milhões de toneladas em 2024. O maior produtor é a Polônia, com uma colheita de 3,19 milhões de toneladas, com uma exportação média anual de 784 mil. Mostrando que não estão para brincadeira e que fizeram a lição de casa, os produtores europeus relataram que a mais recente leitura indica que a importação brasileira de maçã saltou de 153 mil toneladas no ciclo 2022/23 para 235 mil na safra 2023/24. As exportações de maçãs da UE para o Brasil alcançaram 81 mil toneladas na temporada 2024/25.
“A produção interna representa cerca de 75 a 78% da oferta doméstica do Brasil, então há demanda e queremos aproveitá-la”, diz Piotr Janota, presidente da Fruit Union, acrescentando que conversações estão em curso com o Ministério da Agricultura e Pecuária acerca de um acordo sanitário entre Brasil e Polônia, que viabilize o ingresso do produto europeu representado pela Fruit Union.
Na Fruit Attraction São Paulo 2026, realizada no final de março, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Guilherme Coelho, assinalou que o corte gradual de tarifas no âmbito do acordo Mercosul-UE vai ampliar a presença das frutas brasileiras no mercado europeu, “que já absorve cerca de 70% de nossas vendas externas do setor”. Segundo o dirigente, a redução das tarifas começará pela uva, que terá o imposto zerado já a partir da vigência do acordo.
Demais frutas cumprirão diferentes períodos de “carência”, conforme o cronograma a seguir: o abacate terá a tarifa de 4% zerada em quatro anos; limões e limas (14%) em sete; melão e melancia (9%) também em sete anos. Já a maçã, somente a partir do décimo ano da vigência do tratado terá os impostos zerados.