O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, disse, nesta terça-feira (4), que há risco sim de o Brasil ficar sem exportar carne bovina para a União Europeia a partir de 3 setembro.

A declaração foi dada em entrevista, durante o primeiro dia do Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), na capital paulista. “A realidade é essa. Qualquer mudança depende de novas negociações do governo brasileiro”, afirmou.

A partir de 3 de setembro tem início o embargo da UE relacionado à importação de produtos de origem animal do Brasil. A medida impacta, sobretudo a carne bovina e de frango, e o mel. O imbróglio começou em maio após a UE excluir o Brasil da lista de países que atendem às suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.

Nenhuma irregularidade foi encontrada no produto brasileiro, mas a UE considera insuficiente o controle que o Brasil faz sobre o uso dessas substâncias. O prazo de dois anos está relacionado ao ciclo de vida do boi. Entende-se que se um animal começar a cumprir hoje novos protocolos sobre antimicrobianos, ele vai levar cerca de 24 meses para ficar pronto para abate de acordo com os novos novos padrões.

“Estamos apoiando o governo brasileiro com informações para se negociar uma transição maior, a fim de manter o fluxo comercial. Tradicionalmente, nas negociações internacionais o praxe é que primeiro se acerte o acordo e depois se execute. O que a UE pede, no momento, é que primeiro se cumpra o ciclo pecuário e depois se feche o acordo, e isso não concordamos”, afirmou Perosa.