Nesta quinta-feira (20), Goiânia (GO) recebeu, pelo segundo ano consecutivo, o DATAGRO Abertura de Safra Soja, Milho e Algodão, evento consolidado no setor de grãos, que abre oficialmente a temporada produtiva dessas três culturas.
Organizado pela DATAGRO, com apresentação oficial da Koppert, a conferência chegou este ano a sua sétima edição, reunindo mais de 420 pessoas num ambiente de troca de experiências de olho na safra 2026/27.
Como de praxe, a DATAGRO apresentou suas estimativas iniciais para o próximo ciclo, indicando produções recordes de soja e milho, que devem superar 185 e 147 milhões de toneladas, respectivamente.
As seis horas de conteúdo técnico também debateram a competitividade do algodão diante das fibras sintéticas, desafios logísticos e de infraestrutura e a integração das cadeias produtivas – grãos, pecuária e bioenergia – como principal virtude do b.
Entre os principais participantes presentes estavam o presidente da DATAGRO, Plinio Nastari; o CEO da Koppert, Gustavo Herrmann; o presidente da Associação Goiana dos Produtores de Algodão, Haroldo Rodrigues da Cunha; o diretor executivo da Aprosoja-GO, Leonardo Machado, e o diretor executivo da Abramilho, Glauber Silveira.
Confira os principais temas debatidos em cada painel:
Cerimônia de Abertura
A cerimônia de abertura do evento destacou a crescente integração entre as cadeias do agronegócio brasileiro. Para Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, grãos, fibras, carnes e biocombustíveis formam uma engrenagem que amplia a agregação de valor e fortalece o papel do país na segurança alimentar e energética global.
A cerimônia também colocou em pauta os desafios da próxima safra, como endividamento, clima, conflitos internacionais e tarifas comerciais, além da importância da representação do agro no Legislativo.
Painel 1
A próxima safra de grãos deve combinar expansão mais moderada da área plantada com ganhos de produtividade e uma demanda global ainda aquecida. A DATAGRO projeta 185,6 milhões de toneladas de soja em 2026/27, novo recorde, enquanto o milho também deve ampliar a área cultivada.
O cenário, porém, não é livre de riscos: a possível atuação do El Niño pode afetar a distribuição das chuvas, enquanto estoques mais apertados e consumo crescente, especialmente para ração e etanol, tendem a sustentar as cotações. O resultado pode ser um ambiente mais favorável aos preços agrícolas em 2027, depois de um 2026 já mais firme.
Painel 2
A atual conjuntura financeira do agro goiano ganhou destaque no segundo painel, com a Aprosoja-GO apontando que cerca de 27% da carteira de crédito rural do estado está estressada, entre operações atrasadas ou em renegociação.
O quadro reflete a combinação de juros elevados, aumento dos custos dos insumos, impactos climáticos e incertezas geopolíticas, que vêm pressionando as margens dos produtores. Ao mesmo tempo, despesas com energia, combustíveis, logística e mão de obra qualificada ampliam os desafios.
Painel 3
Mais do que desenvolver novas tecnologias, o desafio do campo está em fazer com que elas cheguem à rotina das propriedades e sejam utilizadas de forma eficiente. O quarto painel do evento colocou em discussão a qualificação da mão de obra, a expansão dos bioinsumos e o uso inteligente da irrigação.
A adoção de soluções biológicas avança, enquanto o desenvolvimento de novas moléculas químicas perde ritmo, ao mesmo tempo em que ferramentas digitais ajudam a racionalizar o uso da água. Para Nelson Sá, da Valmont, “tecnologia não é um luxo, é uma grande necessidade”.
Painel 4
A cotonicultura brasileira chega à próxima safra com expectativa de avanço, mas também sob influência do clima. A DATAGRO projeta 9,7 milhões de toneladas de algodão com caroço em 2026/27, ante 9,5 milhões no ciclo atual, mesmo com uma produtividade média estimada em queda.
Ao mesmo tempo, a fibra natural pode encontrar uma nova janela de oportunidade no mercado global diante da crescente preocupação com os impactos ambientais dos materiais sintéticos. O avanço dos microplásticos e seus possíveis efeitos sobre o meio ambiente e a saúde podem reforçar a demanda por alternativas mais sustentáveis.
Painel 5
A integração entre grãos, pecuária e bioenergia foi apontada como uma das principais forças do agronegócio brasileiro. O quinto painel mostrou como diferentes modelos produtivos podem ampliar a rentabilidade dentro da mesma cadeia: na pecuária, a combinação entre agricultura e criação permite direcionar o uso da terra para as atividades de maior valor, enquanto, na bioenergia, o processamento do milho em etanol e coprodutos aumenta a receita por tonelada do grão.
Painel 6
Apesar do avanço do Arco Norte, responsável atualmente por cerca de 36% do escoamento de grãos exportados, transporte e armazenagem continuam entre os principais gargalos do agronegócio brasileiro.
O sexto painel mostrou a dependência das rodovias, que concentram 61% das cargas, enquanto ferrovias e hidrovias ainda têm participação limitada. Na armazenagem, a capacidade disponível equivale a apenas 60% da safra, cenário que pode obrigar o produtor a vender no pico da colheita.
Painel 7
O último painel mostrou que o mercado brasileiro de milho está cada vez mais sofisticado e, por isso, demanda indicadores capazes de refletir com maior precisão a dinâmica das negociações. A DATAGRO apresentou a metodologia de seu novo Indicador do Milho, desenvolvido após 120 reuniões com agentes da cadeia e já utilizado em oito estados.
A proposta é ampliar a transparência e a confiabilidade na formação de preços. Para João Figueiredo, líder de pesquisa da DATAGRO, “temos que fazer isso dentro de casa, porque o Brasil é o verdadeiro expoente do setor”.