A expansão do etanol de milho vem mudando as variáveis para formação do preço da saca do cereal no mercado doméstico, destacou o economista sênior da DATAGRO, Bruno Wanderley de Freitas, em painel da 10ª edição da DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol, nesta quarta-feira (11), em Ribeirão Preto (SP). O evento, que dá o arranque para a temporada 2026/27 de cana na região Centro-Sul, é apresentado pelo Santander e Koppert.
“O preço do milho mudou de patamar – para cima – com o advento do etanol fabricado a partir do grão, passando a responder mais a fatores internos dos que internacionais”, ressaltou. Segundo ele, tomando-se como base, por exemplo, a praça de Sorriso (MT), o valor da saca hoje está praticamente o dobro do comercializado há dez anos.

De acordo com Wanderley de Freitas, a diversidade de coprodutos provenientes do milho que é destinado à fabricação de etanol é o que vem viabilizando a mudança. “É o etanol de milho em si, o DDG, dedicado à alimentação animal, o óleo de milho, a possibilidade de CBios, e assim por diante.” O fato, salientou o economista da DATAGRO, é que o etanol vem permitindo uma forte agregação de valor ao grão, fazendo com que a saca, nesta rota, possa se aproximar de R$ 100.
“O etanol de milho é uma verdadeira biorrefinaria, que viabiliza a fabricação de diversos produtos de elevado valor adicionado”, assinalou o CEO da JBR Soluções Industriais, João Luís Bortolussi Rodrigues. Nesta agenda, o gerente comercial da Agrícola Alvorada, Cláudio Toledo, pontuou que o etanol de cana e de milho são complementares. “O biocombustível a partir do grão vem funcionando para aquecer o consumo de etanol em regiões que estão recebendo plantas de produção e que antes não consumiam.”
Wanderley de Freitas encerrou lembrando que o etanol de milho responde hoje por aproximadamente 25% da oferta nacional, cenário que contribui para garantir os níveis de mistura do biocombustível na gasolina. “Calculamos cerca de 30 unidades atualmente, sendo 11 flex, com capacidade instalada de produção de 12 bilhões de litros.”