Os preços do óleo diesel e dos fertilizantes irão pesar mais no bolso das usinas na safra de cana 2026/27. O motivo? A guerra no Oriente Médio, mais importante região produtora mundial de petróleo, matéria-prima base para fabricação do combustível e de adubos nitrogenados. Este foi o prognóstico apresentado pelo analista sênior da DATAGRO, Paulo Bruno Craveiro, em painel da 10ª edição da DATAGRO Abertura de Safra Cana, Açúcar e Etanol, realizado nesta quinta-feira (12), em Ribeirão Preto (SP). O evento, que dá o arranque para a temporada 2026/27 de cana na região Centro-Sul, é apresentado pelo Santander e Koppert.

De acordo com Craveiro, diante do aumento global das cotações do barril do petróleo, o preço do diesel no mercado doméstico se encontra cerca de 32% abaixo do praticado no mercado internacional. A Petrobras tem como política não repassar reajustes de maneira imediata. No caso da ureia, disse Craveiro, os preços futuros já indicam alta de aproximadamente 30%. O analista da DATAGRO, porém, descarta, por ora, risco de desabastecimento dos produtos.
Moderadora da sessão, a sócia de consultoria estratégica da DATAGRO, Lívia Kosaka, lembrou do peso do diesel e dos fertilizantes nos custos da operação agrícola nos canaviais, que giram em torno de 15% do total. Painelista, a integrante do conselho administrativo da Usina Água Bonita, Tânia Pires Holzhausen, registrou que compras antecipadas e capacidade de estocagem são medidas de contingência que as usinas podem adotar para mitigar impactos de grandes flutuações de preços dos insumos. Ademais, a superintendente administrativa financeira da Usina Agrovale, Juliana Mikaela Alves, disse que uma boa gestão na lida do campo, com foco na economia de combustível do maquinário agrícola e no uso racional dos insumos, é uma tarefa que também pode ser adotada.