Cientistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) publicaram artigo na revista “PLoS ONE” em que descrevem a variabilidade genética existente no germoplasma efetivamente usado (cultivares significativamente usados) no Brasil e a relação do nosso germoplasma com os demais ao redor do mundo.
O professor Roberto Fritsche-Neto, do Departamento de Genética da Esalq, um dos autores do artigo, considera que, apesar dos grandes investimentos em pesquisa na área do milho, seus cultivares (variações genéticas da espécie que são usadas para compor os plantios comerciais) estão sujeitos a vulnerabilidades genéticas, instabilidades produtivas e também à baixa adaptação a novas regiões de cultivo.
“Em relação à existência de variabilidade genética estamos relativamente bem. No entanto, não há como garantir que não estamos vulneráveis”, acredita. “Por exemplo, com o surgimento de uma nova doença, os riscos são imprevisíveis. Por outro lado, nosso germoplasma ainda tem sua base em materiais oriundos de regiões temperadas, o que é um grande complicador à adaptação a regiões como o Centro-Oeste”, alerta em nota do “Jornal da USP”.
Segundo o docente, a importância do estudo está em chamar a atenção do setor para a importância do monitoramento da diversidade genética que está sendo utilizada. De acordo com ele, o Brasil possui hoje aproximadamente 400 cultivares de milho. “Aproximadamente 20 cultivares são responsáveis por cerca de 90% de toda a área produtiva com milho”, contabiliza.