Geada

Geada é um fenômeno climático importante na agricultura por causar significativas perdas de produtividade, ou até a morte da planta. Na meteorologia, geada ocorre quando há deposição de gelo sobre a planta exposto ao relento, no qual a temperatura do ar atinja 0ºC e tenha umidade na atmosfera (PEREIRA, 2002). Contudo, mesmo com a formação de gelo sobre a planta, pode não haver morte dos tecidos vegetais, por elas estarem em repouso vegetativo.

Veja aqui nossos relatórios sobre geada.

A suscetibilidade da planta às geadas depende da cultura agrícola e do estágio fenológico. Segundo Mota (1981), culturas menos resistentes à geada, como banana, mamoeiro e arroz, considera que -2ºC seja a temperatura crítica mínima na folha que inicia danos às plantas. Para as culturas mais resistentes, cafeeiro, cana-de-açúcar e citros, o limite é -4ºC. Conforme a temperatura mínima atinja valores menores, mais graves são os danos.

No Brasil, a geada é um fenômeno frequente durante o inverno nas latitudes acima do paralelo 19ºS, englobando os estados de Minas Gerais (Triângulo Mineiro e região sul), São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, e Rio Grande do Sul. Há chance de ocorrer geada precocemente, no outono, ou tardiamente, na primavera, nos quais intensificam os prejuízos às culturas.

É possível monitorar a ocorrência de geada em um local através do acompanhamento da temperatura mínima em uma estação meteorológica, indicando condições para geada quando atingem os valores da tabela abaixo.

 

Temperatura mínima na estação meteorológica
4ºC (culturas mais sensíveis) 2ºC (culturas sensíveis) 0ºC (culturas menos sensíveis)
Banana, batata, feijão, hortaliças, mamão e tomate Café, cana-de-açúcar, manga e trigo Laranja, maçã e pera

Fonte: CPTEC

Segundo Camargo (1972), existem dois tipos de geadas que a definem quanto à sua origem ou pelos efeitos visuais.

Quanto à sua origem:

  • Geada de vento frio: causada por ventos fortes constantes e com temperaturas muito baixas, ocorrendo o ressecamento da folha e consequentemente sua morte. Há situações em que os danos a planta ocorre em apenas um lado;
  • Geada de radiação: ocorre em noites de céu limpo, sem nuvens, sem vento, com baixa umidade e ar frio. Nesse cenário, a temperatura da superfície fica mais baixa que a temperatura do ar, chamado de inversão térmica;
  • Geada mista: geada quando os dois processos sucessivamente ocorrem, ou seja, entrada de massa fria e seca, e subsequente intensa perda radiativa noturna.

Quando ao aspecto visual:

  • Geada negra: esse tipo de geada não há deposição de gelo na planta, devido à baixa umidade do ar. Esse tipo de geada é mais severo pois a baixa umidade permite ocorrência de temperaturas menores, deixando a planta com cor escura;
  • Geada branca: quando a umidade presente no ar se condensa, e em seguida, congela, ocorrendo deposição de gelo na planta.

 

Locais de maiores ocorrências de geadas

  • Latitude: no Brasil latitudes maiores que 19ºS há chance de ocorrer geada, com maior frequência no inverno, danificando as culturas tropicais, como café, citros e banana. Já as culturas de clima temperado, não são afetadas pela geada de inverno por estarem no estágio de dormência. Por outro lado, geada precoce (outono) afeta a florada, e a geada tardia (primavera) afeta a frutificação.
  • Altitude: quanto maior a altitude, menor a temperatura, e consequentemente, maior a ocorrência de geada.
  • Topografia: áreas de baixadas tem suscetibilidade maior de formação de geada, devido ao ar frio ser mais denso que o ar quente. Outro tipo de topografia são os terrenos com a face voltada para o sul, no qual ficam menos exposta ao sol durante o inverno.

A DATAGRO monitora durante os meses de maio a agosto a chance de ocorrer geada nos canaviais da região Centro-Sul, sendo possível acompanhar nos Alertas Climáticos da DATAGRO.

Referencias bibliográficas:

MOTA, F. S. Meteorologia agrícola. São Paulo: Nobel. 1981, 376p.

PEREIRA, A R., ANGELOCCI, L.R., SENTELHAS, P.C. Agrometeorologia: fundamentos e aplicações práticas. Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária, 2002. 478p.