Setor produtivo contesta e Ministro Blairo adia decisão de importar café

O Brasil, o maior produtor de café do mundo, está prestes a importar o grão. A decisão de comprar café no mercado externo está nas mãos do Ministro Agricultura, Blairo Maggi, que pretende atender um apelo da indústria brasileira, que passa por uma das piores crises de desabastecimento de sua história.

Governo e setor produtivo travam queda de braço sobre importação do produto

Porém, o setor produtivo, especialmente do Espírito Santo, não concorda com a importação e vem pressionando o governo. A queda de braço entre indústria e produtores fez o ministro adiar a decisão, prevista para ontem, quinta-feira (2). Blairo justificou dizendo que vai voltar a conversar com o setor produtivo e explicar que a importação é pontual e necessária neste momento.

Para minimizar o período de escassez, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou que no dia 9 de fevereiro fará um novo leilão de café arábica dos estoques públicos. Vão ser ofertadas cerca de 9 mil toneladas do grão, armazenadas nos Estados de Minas Gerais e São Paulo. Esse é o segundo leilão do ano, o último aconteceu dia 26 de janeiro, quando foram comercializadas 5,6 mil toneladas, somando R$ 46,8 milhões.

O déficit entre demanda e abastecimento não é um problema exclusivamente no Brasil. Segundo Organização Internacional do Café (OIC), o consumo mundial deve passar de 155 milhões de sacas, enquanto a produção mundial vai ser de um pouco mais de 151 milhões de sacas no ano cafeeiro 2016/2017. E o Brasil é cada vez mais o responsável por abastecer essa demanda. Estima-se que nos últimos 20 anos, a participação do café brasileiro passou de 19% para 30% do mercado global, com volume de 34 milhões de sacas exportadas só em 2016.