Brasil deve colher 71,9 milhões de sacas de café em 2026/27, com forte recuperação do arábica, projeta USDA

A produção brasileira de café deverá atingir 71,9 milhões de sacas de 60 kg na temporada 2026/27, aponta a primeira projeção do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Brasília, publicada nesta segunda-feira (1º).

O volume representa um crescimento de 14% em relação às 63 milhões de sacas estimadas para 2025/26 e reflete os efeitos do ciclo bienal positivo dos cafezais, condições climáticas favoráveis e os elevados preços internacionais da commodity.

Do total previsto, o arábica deverá responder por 47,5 milhões de sacas, avanço de 25% sobre a temporada anterior. O USDA destaca que a combinação entre ciclo produtivo favorável, expansão das áreas cultivadas, melhorias tecnológicas no manejo e condições climáticas mais adequadas sustentam a forte recuperação da variedade.

Já a produção de robusta é estimada em 24,4 milhões de sacas, ligeiramente abaixo das 25 milhões de sacas projetadas para 2025/26. Segundo o relatório, temperaturas mais baixas e períodos de excesso de chuva em algumas regiões produtoras limitaram o potencial produtivo da variedade.

A DATAGRO projeta estima a safra 2026/27 de café do Brasil em 73 milhões de sacas, sendo 48 milhões de arábica e 25 milhões de robusta.

 

Colheita 

A colheita da nova temporada começou de forma lenta em abril, mas ganhou ritmo a partir da metade de maio, dentro do calendário considerado normal para o Brasil.

O USDA relata que episódios isolados de calor excessivo e baixa precipitação no fim de 2025 e início de 2026 não comprometeram o desempenho das lavouras, que apresentam elevada produtividade. No entanto, há preocupação com possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra 2027/28, especialmente durante as fases de florada e enchimento dos grãos.

 

Exportações 

As exportações brasileiras de café estão projetadas em 49,07 milhões de sacas em 2026/27, aumento de 30% frente às 37,87 milhões de sacas estimadas para o ciclo anterior. O crescimento é sustentado pela expectativa de uma safra recorde, embora os baixos estoques disponíveis tenham limitado os embarques no início de 2026.

Entre janeiro e abril, o Brasil exportou 11,5 milhões de sacas, volume 24% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e Bélgica permanecem como os principais destinos do café brasileiro.

 

Consumo interno 

O consumo interno deverá alcançar 22,39 milhões de sacas em 2026/27, crescimento discreto de 0,5%. Segundo o USDA, apesar da recuperação observada nos primeiros meses de 2026, após a queda dos preços no varejo, a inflação dos alimentos e os elevados preços do café ainda limitam um avanço mais robusto da demanda doméstica.

 

Estoques finais 

Os estoques finais são estimados em 4,42 milhões de sacas, ante 3,89 milhões na temporada anterior. A recomposição ocorre com a entrada da nova safra, mas a disponibilidade de arábica segue apertada no curto prazo.

Além disso, a valorização recente do real frente ao dólar reduz a competitividade das exportações e pode levar produtores a reter parte dos volumes armazenados à espera de melhores oportunidades de comercialização.