A produção de café de Uganda em 2026/27 deverá alcançar 7,160 milhões de sacas de 60 kg, segundo estimativa do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Nairóbi, publicada nesta semana.
O volume representa avanço sobre as 7,095 milhões de sacas projetadas para 2025/26 e reflete o aumento da área colhida, a expansão das lavouras e a entrada em produção de cafeeiros de alta produtividade plantados nos últimos anos.
Da produção total esperada, 6,025 milhões de sacas deverão ser de robusta e 1,135 milhão de arábica. O USDA destaca que os preços internacionais ainda em patamares históricamente elevados continuam incentivando produtores a ampliar investimentos e expandir o cultivo, especialmente em regiões onde áreas antes destinadas à produção de madeira vêm sendo convertidas para o café, como em Masaka.
A área plantada deverá crescer de 590 mil hectares em 2025/26 para 595 mil hectares em 2026/27. Já a área colhida deve avançar cerca de 0,85%, passando de 575 mil para 580 mil hectares.
Pequenos produtores dominam o setor e respondem por aproximadamente 90% da produção nacional, normalmente em propriedades entre 0,5 e 2,5 hectares. O robusta representa cerca de 80% da produção total do país e está concentrado principalmente na região central, embora o cultivo avance também para o norte. O arábica é produzido nas áreas de maior altitude do leste e oeste ugandês.
Segundo o relatório, condições climáticas favoráveis, maior adoção de práticas agronômicas e a maturação das lavouras vêm sustentando o crescimento produtivo. Ainda assim, o uso de fertilizantes permanece limitado devido aos custos elevados, enquanto pragas como o broca-dos-ramos e doenças como a ferrugem seguem pressionando os custos e a produtividade.
As exportações ugandesas de café deverão atingir 6,830 milhões de sacas em 2026/27, alta de 1,9%, sustentadas pela forte demanda da União Europeia, dos Estados Unidos e de mercados emergentes na Ásia. Mais de 98% do café exportado pelo país é embarcado na forma de grãos verdes. O USDA também aponta crescimento das vendas para mercados não tradicionais, como Marrocos e China.
O consumo doméstico deve subir modestamente, de 330 mil para 335 mil sacas, impulsionado pelo crescimento urbano, expansão de cafeterias e aumento da capacidade local de torrefação e produção de café solúvel.
Já os estoques finais foram estimados em 329 mil sacas em 2026/27, ante 334 mil sacas em 2025/26, permanecendo relativamente baixos devido ao ritmo acelerado de vendas favorecido pelos altos preços internacionais.