Presente no Brasil para a entrega do 35º Prêmio Ernesto Illy, dedicado a reconhecer os melhores produtores brasileiros de café que são fornecedores de grãos para a marca italiana, o CEO da torrefadora Illy, Andrea Illy, diz que as mudanças climáticas se tornaram um risco estrutural para a cafeicultura global.
Segundo ele, as alterações do clima vêm impactando mundialmente as áreas de cultivo, com influência negativa nos custos de produção dos agricultores, no rendimento por hectare e consequentemente no volume de produção e qualidade do café.
Neste diagnóstico, o executivo assinala, ainda, que este quadro reduz a previsibilidade em si do negócio, já que tende a provocar um vaivém na oferta, acentuando uma dinâmica de oscilação dos preços, que inevitavelmente também, claro, chega ao consumidor.
Agricultura regenerativa
Entusiasta da chamada agricultura regenerativa, Illy pontua que a adoção de boas práticas agrícolas sustentáveis é o caminho para se reverter ou, ao menos, reduzir os desdobramentos negativos decorrente deste quadro. “É o desenvolvimento de variedades mais resistentes às intempéries do clima, a proteção do solo com plantas de cobertura, a fertilização com produtos mais amigáveis ao meio ambiente, sombreamento das árvores produtoras, irrigação, entre outras medidas”, diz o executivo.
Nesta agenda, o Illy avalia que a cafeicultura brasileira vem fazendo a lição de casa – inclusive com o avanço da mecanização da colheita. “Minas Gerais é um exemplo”. O Brasil, afirma, tem uma cafeicultura bem distribuída, capilaridade, e isso é um diferencial.
Ademais, Illy registra que o cenário geopolítico – cada vez mais incerto – encarece sim insumos, transporte e energia. “Há pressão neste sentido, mas a rentabilidade neste ano tende a compensar.” Em relação ao acordo Mercosul-UE, o executivo comenta que para os negócios da Illy o tratado não traz grandes mudanças.