A avaliação de executivos de fabricantes de máquinas agrícolas na Agrishow, que se encerra nesta sexta-feira (1), em Ribeirão Preto (SP), é de um mercado com ligeira queda nas vendas em 2026. Projeções das principais entidades que acompanham este mercado, a começar pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) vão nesta direção, com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), porém, sendo mais categórica, prevendo uma retração de 5% para este ano.
Custos de produção elevados – em particular dos combustíveis e fertilizantes, em razão da guerra no Oriente Médio -; juros altos, mesmo com o corte de 0,25% da taxa Selic nesta quarta (29), que mantêm o crédito caro; preços acomodados das principais commodities; além da instabilidade geopolítica global; desenham um cenário de freio nos investimentos por parte dos produtores rurais, mesmo a despeito da previsão de mais uma safra cheia de grãos.
“O patamar de juros vem inviabilizando financiamentos e as margens dos produtores estão apertadas”, afirma o vice-presidente de vendas da Case IH para América Latina, Paulo Arabian. De acordo com o vice-presidente de marketing da CNH para América Latina da New Holland, Eduardo Kerbauy, a realidade é que a tomada de decisão do produtor para aquisição de um novo maquinário não depende só da produção, de uma boa produtividade, depende também da rentabilidade obtida e da capacidade de pagamento, que estão com viés de baixa.
Para o vice-presidente da Fendt e Valtra & Gerente Geral AGCO na América Latina, Marcelo Traldi, de fato, a conjuntura é desfavorável, contudo os fundamentos do agro no Brasil permanecem, o que no longo prazo consolida um ambiente positivo e de sustentação dos investimentos. Nesta agenda, o diretor comercial da Valtra, Claudio Esteves, cita a expansão do etanol de milho, fenômeno que vem mudando – para cima – o preço da saca do grão, em especial no Centro-Oeste, região que concentra a maioria das usinas, como um fator novo. “Neste caso, o fato de o produtor ter a oportunidade de ganhar mais também abre uma nova janela de negócios para o mercado de máquinas.”