A Embrapa divulgou nesta quinta-feira (23) o Balanço Social 2025 com dados que atestam: a cada R$ 1 investido na empresa, R$ 27 retornam para a sociedade. O valor é resultado da relação entre o lucro social e a receita operacional líquida (ROL) da instituição no ano. Em 2025, o lucro social foi de R$ 124,76 bilhões que, divididos pelos R$ 4,6 bilhões da ROL, resultam nos R$ 27,12. De modo simplificado: em 2025, para cada R$ 1 investido na Embrapa, o retorno para a sociedade foi multiplicado 27 vezes. Em termos reais, houve um aumento de 17% no lucro social da empresa em relação a 2024.
Os impactos relatados no Balanço Social são fruto dos investimentos na pesquisa agropecuária ao longo das cinco décadas de existência da Embrapa. Os conhecimentos científicos levam anos para completar o ciclo que parte da pesquisa básica, passa pelos experimentos em campo, desenvolvimento em escala das tecnologias com resultados comprovados e se completa com a efetiva adoção das soluções pelo mercado produtivo.
“O orçamento público destinado à Embrapa alcançou R$ 4 bilhões em 2023 e vem sendo mantido acima desse patamar nos últimos três anos. Assegurar a constância da destinação desses recursos e ampliar o patamar desses valores é essencial para que os impactos econômicos e sociais, como os detalhados anualmente no Balanço Social, sejam assegurados também pelas próximas décadas”, destaca a presidente Silvia Massruhá.
Os recursos do orçamento são destinados à empresa pela Lei Orçamentária Anual (LOA), proposta pelo Governo Federal e aprovada todos os anos pelo Congresso Nacional.
“Os dados comprovam a importância da recomposição orçamentária da Embrapa e como ela reflete positivamente na sociedade. Conforme o Balanço Social demonstra, aplicar recursos públicos em ciência, pesquisa e inovação é, na verdade, investir na soberania alimentar e no desenvolvimento econômico e social do país e da população brasileira como um todo”, destaca Silvia Massruhá.
Os cálculos e dados que compõem o Balanço Social da Embrapa têm como base a avaliação do impacto econômico de uma amostra de 166 soluções tecnológicas e análises da adoção de uma amostra de outras 209 tecnologias desenvolvidas pela instituição e efetivamente incorporadas pelo mercado produtivo.
“Estes estudos de avaliação de impactos da Embrapa são elaborados anualmente por 42 Unidades de pesquisa da empresa e demonstram, principalmente, os benefícios econômicos incorporados pelo setor produtivo com a adoção das soluções tecnológicas geradas. Esses valores são calculados por meio da soma do rendimento adicional obtido pelos adotantes dessas soluções”, explica Graciela Vedovoto, analista responsável pela área de avaliação de impactos da Diretoria de Governança e Informação da Embrapa.
Dos R$ 124,76 bilhões apurados como lucro social da empresa em 2025, R$ 118,62 bilhões se referem à avaliação do impacto econômico destas 166 soluções tecnológicas; R$ 4,63 bilhões são relativos ao impacto gerado por uma amostra de 110 cultivares da Embrapa e parceiros; e R$ 1,5 bilhão calculados a partir dos indicadores sociais e laborais da Empresa. Entre os indicadores sociais destaca-se a geração de 132.115 empregos diretos e indiretos.
:: Participação da Embrapa no PIB
O PIB da agropecuária brasileira em 2025 foi de R$ 775,3 bilhões. Ao fazer a comparação com o benefício econômico gerado pelas tecnologias da Embrapa, projeta-se que a participação da Embrapa seria de 16%.
Impactos econômicos: números de destaque
>> 17% – crescimento do Lucro Social da Embrapa de 2025 em relação a 2024
>> R$ 123,25 bilhões – benefício econômico gerado pelas tecnologias da Embrapa e parceiros
>> R$ 775,3 bilhões – PIB da Agropecuária em 2025 (crescimento de 11,7% em relação a 2024)
>> 16% – participação da Embrapa no PIB Agropecuário em 2025
:: Impactos por tipo de benefício econômico
É possível realizar uma análise por tipos de benefícios econômicos gerados pelas tecnologias da Embrapa. A literatura aponta ser possível calcular, a partir do método do excedente econômico, quatro tipos de ganhos proporcionados pelas tecnologias: aumento de produtividade, redução de custos, agregação de valor e expansão da produção em novas áreas.
O aumento da produtividade é o tipo mais comum entre esses quatro. Para se estabelecer o valor desse benefício, basta calcular, por exemplo, no caso de distintas cultivares, a diferença entre uma variedade mais produtiva e sua antecessora. Essa diferença de produtividade, quando consideradas também outras variáveis (tais como o preço e a adoção) será refletida no adicional da renda obtida. Em 2025, das 166 tecnologias avaliadas, 105 proporcionaram ganhos por incremento de produtividade. Somadas, essas diferenças revelaram um impacto de R$ 63,93 bilhões.
Exemplos do segundo tipo de benefício (ganhos por redução de custos) são as soluções tecnológicas que poupam a aquisição de insumos ou que possibilitam substituí-los por outros de menor custo. É o caso dos manejos integrados de pragas. Em 2025, 47 tecnologias Embrapa proporcionaram este benefício, resultando em uma economia de R$ 45,78 bilhões aos adotantes. O exemplo mais emblemático de tecnologia redutora de custos é justamente a Fixação Biológica de Nitrogênio, que permite a substituição de fertilizantes nitrogenados pela inoculação da semente com estirpes de bactérias específicas. Essa é a área de atuação da pesquisadora Mariângela Hungria, incluída na lista deste ano das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time (EUA) divulgada esta semana.
As tecnologias agroindustriais e de processamento, que permitem algum tipo de tratamento ao produto final, possibilitando, assim, maior valor de venda são exemplos do terceiro tipo de benefício mensurado, a agregação de valor. É o que ocorre, por exemplo, com produtos derivados de cabra (leites, queijos, iogurtes e cortes de carne) devido à adoção da técnica de inseminação artificial transcervical em caprinos, lançada em 2006. A técnica, que tem eficácia comprovada, iguala ou supera as melhores práticas mundiais em inseminação artificial de cabras em ambientes tropicais. Ela vem sendo adotada em praticamente todos os estados brasileiros e, também, em países como Espanha, Itália, Costa Rica, Paraguai, Peru, Uruguai, Argentina e Colômbia. Além de agregar valor ao produto final, tem impactos positivos em outras dimensões, como no desenvolvimento de cadeias de produção, mercados locais e na melhoria do bem-estar e da saúde animal.
O quarto tipo de benefício é também o mais raro, a expansão da produção em novas áreas, que ocorre quando uma inovação permite a produção em áreas anteriormente consideradas impróprias para determinado cultivo. Estratégias para recuperação de pastagens degradadas estão entre as soluções desse tipo. O Balanço Social traz como destaque o trabalho que vem sendo realizado no bioma Cerrado. As estratégias de recuperação de pastagens se caracterizam pelo uso de um conjunto de tecnologias que proporcionam o restabelecimento da produção de forragem mantendo-se a mesma espécie ou cultivar. Já as estratégias de renovação consistem na adoção de tecnologias que proporcionam o restabelecimento da produção da forragem com a introdução de uma nova espécie ou cultivar.
No ano passado, 37 tecnologias do tipo mais valor juntamente com 15 do tipo mais produção em novas áreas proporcionaram um aumento de renda de aproximadamente R$ 8,89 bilhões.
:: Impactos sociais
Sob a perspectiva social, foram gerados mais de 132 mil empregos em 2025 por meio do aumento da ampliação da adoção das soluções tecnológicas oferecidas pela Embrapa. Trata-se da estimativa da geração de empregos ao longo da cadeia produtiva de cada uma das soluções que compõem a amostra analisada pela Embrapa.
Um exemplo explicado no Balanço Social 2025, é o caso do programa de certificação da manga brasileira. Denominado Produção Integrada de Manga (PI-Manga), essa metodologia adota uma abordagem sustentável que garante frutas de alta qualidade com menos agrotóxicos, manejo integrado e rastreabilidade. No polo de agricultura irrigada do Submédio do Vale do São Francisco, a implementação da PI-Manga, desde 2002, vem impactando positivamente toda a cadeia produtiva.
Considerando a adoção da metodologia no Semiárido nordestino, o sistema gera cerca de um emprego direto permanente e três indiretos nos demais elos da cadeia para cada hectare cultivado. Sabendo-se que, em 2025, a área de adoção da tecnologia aumentou em 750 ha em relação ao ano de 2024, a estimativa é de que foram gerados 3 mil novos empregos apenas pela expansão da adoção dessa tecnologia nesta região na cultura da manga.
O gráfico a seguir apresenta o percentual de novos empregos gerados por tema de abrangência das soluções tecnológicas e possibilita observar um contraste interessante com os dados de impacto econômico também apresentados por tema de abrangência no gráfico 5. Enquanto que em termos de impactos econômicos o grupo de soluções tecnológicas associadas ao tema “Produção de frutas, hortaliças e outras espécies alimentares” apresentam o menor benefício econômico (2% do benefício total gerado), esse mesmo grupo de tecnologias foi responsável pela geração de 23% de novos postos de trabalho em 2025. Esse exemplo demonstra a importância da realização de avaliações multidimensionais de impactos, pois as tecnologias apresentam desempenho diferentes conforme a dimensão avaliada.
Já o grupo de soluções tecnológicas associadas ao tema “Produção de frutas, hortaliças, castanhas e outras espécies” foi responsável pela geração de 46% de todos os empregos gerados (Gráfico 4). Nesse gráfico, foi excluída a tecnologia Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), responsável por cerca de metade dos empregos gerados da série, pois essa tecnologia gera empregos que perpassam as demais categorias. Em 2025, pela primeira vez, foi possível estimar os empregos diretos, indiretos e induzidos gerados por essa solução tecnológica, a partir de uma matriz de insumo produto. O resultado indicou a geração de mais de 65 mil empregos gerados pelo Zarc, conforme destacado no gráfico abaixo.
Outra constatação é de que os empregos gerados concentram-se nas regiões Norte e Nordeste do país (conforme pode ser constatado no gráfico abaixo, itens marcados em amarelo). Esses dados comprovam que o conhecimento científico e as soluções desenvolvidas pela Embrapa impactam diretamente a agricultura familiar e beneficiam a pequena produção agroalimentar brasileira.
:: Perspectiva histórica
O Balanço Social da Embrapa publica, anualmente, desde 1997, os resultados da avaliação de impactos econômicos, sociais, ambientais e do desenvolvimento institucional a partir de uma amostra de soluções tecnológicas desenvolvidas pela empresa. A metodologia utilizada pode ser encontrada no site do Balanço Social e é conhecida na literatura sobre o tema.
É importante ressaltar que os impactos estimados anualmente são resultados de investimentos em pesquisa realizados na Embrapa em décadas anteriores. Os dados do gráfico abaixo (Relação entre a Receita Operacional Líquida e o Lucro Social) permitem considerar a média da série histórica de 29 anos de Balanço Social. Verifica-se que o retorno da Embrapa para a sociedade vem demonstrando uma relação anual média de 14 para 1. Ou seja, na relação entre lucro social e receita operacional líquida, para cada R$ 1 investido pelo governo anualmente na Embrapa desde 1997, há um retorno médio anual de R$ 14,01 para a sociedade.
A série histórica retratada no gráfico foi deflacionada considerando o IGP-DI (FGV) de dezembro de 2025.
O retorno de R$ 34,70 referente ao ano de 2022, embora seja o maior valor da série histórica, se deve a um contexto geopolítico e econômico bem específico, marcado pela expressiva alta dos preços de insumos agrícolas. Em fevereiro de 2022, teve início a guerra da Rússia contra a Ucrânia, país do qual o Brasil importa grande parte desses produtos. Houve um aumento do benefício econômico de uma tecnologia especificamente, a fixação biológica de nitrogênio, que poupa o uso de fertilizantes nitrogenados cujos preços dispararam. Como o cálculo é feito em termos de redução do custo de produção, não ter utilizado tais fertilizantes trouxe uma grande economia para o país.