Consumo de café na Alemanha segue estável, mas com hábitos diferentes

O mercado de café na Alemanha segue como o principal da Europa e vem apresentando mudanças relevantes nos hábitos de consumo, apesar de uma aparente estabilidade geral. Dados divulgados pela Deutscher Kaffeeverband, principal organização e voz da indústria do café no país, indicam que o consumo médio por habitante chegou a 161 litros no último ano.

Conforme explica o diretor-executivo da entidade, Holger Preibisch, as transformações são mais profundas do que parecem à primeira vista. Segundo ele, há mudanças significativas relacionadas aos locais de consumo, métodos de preparo e tipos de café escolhidos pelos consumidores.

Em termos de volume, o consumo total de café na Alemanha registrou leve retração de 1,5% no ano passado, somando cerca de 456 mil toneladas (equivalente a 7,6 milhões de sacas). Por outro lado, o avanço dos preços impulsionou o faturamento do setor, que cresceu 23,5%, alcançando quase 9 bilhões de euros.

Um dos destaques é o avanço contínuo do consumo de café em grãos, que atingiu um recorde de 193,8 mil toneladas (3,21 milhões de sacas) em 2025, acumulando alta de aproximadamente 130% na última década. Em contrapartida, o café torrado e moído perdeu espaço, com queda de cerca de 38% no volume de vendas no mesmo período.

De acordo com Preibisch, muitos consumidores associam o uso de grãos inteiros a uma experiência de maior qualidade. Esse movimento também é refletido na adoção de equipamentos domésticos: atualmente, cerca de um terço das residências alemãs conta com máquinas automáticas que utilizam café em grãos.

O consumo fora do lar também ganhou força e atingiu novo recorde, com 125,5 mil toneladas em 2025, superando o pico anterior registrado em 2018. Esse crescimento reforça o papel social do café, presente em ambientes como cafeterias, locais de trabalho e no consumo em trânsito.

No consumo doméstico, a entidade destaca ainda o bom desempenho do café instantâneo – especialmente nas versões premium – e do café líquido concentrado, que vêm sendo valorizados pela praticidade e rapidez no preparo, inclusive para bebidas geladas.

Segundo análise da Deutscher Kaffeeverband, aproximadamente uma em cada dez xícaras consumidas no país é feita com café instantâneo.