O futuro da demanda por etanol foi o tema do último painel da 3ª edição da Conferência Internacional UNEM DATAGRO sobre Etanol de Milho, realizada nesta quinta-feira (16) em Cuiabá (MT).

O debate foi moderado por Guilherme Nastari, diretor da DATAGRO, e contou com a presença de Roberto Matarazzo Braun, presidente da Fundação Toyota do Brasil, e Gabriel Viana, gerente de sistemas de produção R3 milho, soja e algodão da John Deere.

Na abertura do painel, Nastari mostrou uma imagem da primeira campanha publicitária sobre o Proálcool divulgada em 1975, em que há uma foto do Estreito de Ormuz com uma mina explosiva, acompanhada do jargão “O álcool do seu carro não passa por aqui”.

“Parece que essa campanha publicitária foi feita ontem e nem parecem que fazem 50 anos que o Brasil se defendeu dessa situação”, disse o diretor da DATAGRO. 

Depois da apresentação, Guilherme fez um paralelo entre o trabalho já conduzido, com o futuro desse mercado, conduzindo a palavra para Roberto Braun. O presidente da Fundação Toyota afirmou que “estamos vivendo um momento de aquecimento global”, defendendo a posição do Brasil como maior protagonista global na descoberta de novas tecnologias para reduzir as emissões de gás carbônico.

“Muitas empresas acreditam que o carro elétrico é a melhor solução para descarbonização. Mas nós acreditamos que existem contextos e necessidades diferentes”, disse Braun, mostrando a variedade de caminhos para alcançar a neutralidade nas emissões de carbono.

A executivo da Toyota destacou a importância dos veículos com tecnologia híbrida flex, uma vez que, conforme explicado durante a apresentação, o abastecimento com etanol em unidades com essa mecânica reduzem em até 70% as emissões.

“É uma tecnologia prática, uma vez que não precisa de recarga, além de ser acessível, custa um pouco mais cara que as soluções convencionais e é muito sustentável”, complementa.

Braun também apresentou uma cartilha aprovada durante a COP30 com uma série de metas sustentáveis à serem alcançadas pela empresa, que você pode acessar aqui

Após a apresentação do executivo, foi passado um vídeo de Lucas Correa, gerente geral de desenvolvimento de negócios em descarbonização da Wärtsilä. A liderança fez um panorama sobre o crescimento do mercado para o etanol como combustível marítimo, até se tornar uma alternativa viável para a operação.

“Acho que já avançamos muito nos últimos 4 anos, principalmente pelo apoio de todos os stakeholders na indústria, além do Governo Federal, que criou grupos de trabalho para discutirmos o tema”, disse Correa.

A partir dessas ações, de acordo com Lucas, foi possível identificar um gargalo que pode ser preenchido pelo etanol, uma vez que a demanda global por combustível marítimo chama a atenção dos produtores, principalmente no momento em que há o interesse pela descarbonização. 

“A demanda anual por combustível marítimo atualmente é de 300 milhões de toneladas. Se a gente conseguir capturar 5% ou 10% disso, estamos falando de, ao menos, 20% da produção global de etanol sendo destinada a um mercado completamente novo”, afirmou.

Por último, Gabriel Viana apresentou a posição da John Deere no mercado de etanol. De acordo com o gerente de sistemas de produção das principais commodities agrícolas, a empresa se posiciona com um portfólio completo de soluções para o produtor rural com foco em ampliar a produtividade e trazer rastreabilidade.

“A John Deere tem um compromisso na sua estratégia para reduzir a emissão de gás carbônico dos clientes em 15%”, afirmou Viana. Entre as estratégias, o executivo mostrou o modelo de um trator que é movido por um motor a etanol, algo que ainda segue com desafios no setor agrícola. De acordo com ele, já existem unidades atuando no Brasil.

Ao fim da apresentação, o executivo afirmou que o etanol é um combustível muito mais competitivo hoje em dia, principalmente por conta da volatilidade no preço do diesel.

“O etanol vem como uma ferramenta extremamente importante e estratégica para descarbonizar a produção de grãos e também reduzir os custos dessa operação no Brasil”, encerrou.

Depois das apresentações, Guilherme Nastari destacou a importância das políticas públicas brasileiras para a adoção do etanol, com estímulo para ampliar seu o consumo. 

“O Brasil é um exemplo de desenvolvimento, que mantém seus ativos de exploração de pé. Tem um monte de país super legal que queria ser a gente. Eu realmente acho que estamos no epicentro da discussão pelos próximos 100 anos”, finalizou o diretor da DATAGRO.