Elaborado pela Mosaic, o Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) encerrou o mês de março em 1,53, frente a 1,28 registrado em fevereiro. O movimento foi impulsionado principalmente pela elevação dos preços dos fertilizantes, exercendo pressão relevante sobre o índice. O câmbio teve impacto limitado, com o dólar registrando valorização de 0,6% no mês.

No lado das commodities agrícolas, houve variação de +1,3%, com altas observadas em culturas como cana-de-açúcar, milho, algodão e soja. Esse desempenho reflete, em parte, a valorização do petróleo, embora tenha sido parcialmente compensado pela grande safra brasileira, que mantém elevada a oferta doméstica.

Os preços dos fertilizantes com aumento de +10% foram impactados pelo conflito no Oriente Médio, com uma combinação de fatores, incluindo restrições de oferta, aumento dos custos de produção e elevação dos custos logísticos, em linha com a alta do petróleo e do enxofre.

No cenário prospectivo, o ambiente internacional segue demandando atenção. A persistência de tensões geopolíticas, especialmente no Oriente Médio — região estratégica para a produção e o fluxo global de fertilizantes — tem contribuído para um contexto de maior incerteza e volatilidade. Esse cenário pode levar a uma maior resistência do IPCF em patamares elevados, limitando o tempo adequado de resposta para a safra corrente ou para o planejamento do plantio da próxima safra, à medida que os conflitos internacionais continuam afetando o balanço global de oferta e demanda de fertilizantes.

:: Entendendo o IPCF

O IPCF é divulgado mensalmente pela Mosaic e consiste na relação entre indicadores de preços de fertilizantes e de commodities agrícolas. A metodologia consiste na comparação em relação à base de 2017, indicando que quanto menor a relação mais favorável o índice e melhor a relação de troca. O cálculo do IPCF leva em consideração as principais lavouras brasileiras: soja, milho, açúcar, etanol e algodão.