As importações de algodão do Vietnã devem crescer 10% em 2026/27, alcançando 8,4 milhões de fardos, segundo projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O avanço reflete a forte demanda da indústria têxtil local, especialmente do segmento de fios de algodão.
Caso confirmada, a nova temporada marcará o maior volume de importação da série recente para o país asiático.
Segundo o USDA, a principal força por trás da expansão nas importações é o aumento da demanda chinesa por fios produzidos no Vietnã. As exportações vietnamitas de fio de algodão cresceram 8% em volume em 2025, para 1,05 milhão de toneladas, com os embarques destinados à China avançando 10%, para 881 mil toneladas.
Nos dois primeiros meses de 2026, as exportações totais de fios já acumulavam alta de 23% na comparação anual, indicando continuidade do ritmo forte de demanda.
O consumo doméstico de algodão no Vietnã está projetado em 8,0 milhões de fardos em 2026/27, alta frente aos 7,8 milhões estimados para 2025/26.
Apesar do crescimento da indústria têxtil, o Vietnã continua praticamente sem produção doméstica relevante de algodão.
Segundo o relatório, a produção local representa menos de 1% da demanda total, mantendo o país estruturalmente dependente das importações para abastecer seu parque industrial.
O país conta atualmente com 121 fiações de algodão em operação, somando capacidade de 10,4 milhões de fusos equivalentes, com forte concentração na região sul do país.
Os Estados Unidos devem seguir como principal fornecedor de algodão ao Vietnã em 2025/26.
Os embarques norte-americanos ao país asiático cresceram 75% entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, atingindo 1,7 milhão de fardos. Com isso, o USDA estima que os EUA embarquem 3,2 milhões de fardos ao Vietnã em 2025/26.
Na direção oposta, o Brasil perdeu participação no mercado vietnamita na atual temporada.
As exportações brasileiras de algodão ao Vietnã caíram 44%, para 950 mil fardos, entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Segundo o USDA, o recuo ocorreu porque exportadores brasileiros direcionaram maior volume da fibra para a China.
Com isso, a participação brasileira no mix de importação vietnamita caiu de 42% para 24% no comparativo entre os dois últimos ciclos parciais analisados pelo USDA.