A produção de oleaginosas da União Europeia deve avançar em 2026/27, impulsionada principalmente pela recuperação das safras de girassol e pela manutenção de uma produção elevada de colza, segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O aumento da oferta doméstica deve sustentar maior processamento interno e reduzir a dependência do bloco por importações dessas commodities.
De acordo com o documento, a produção total de oleaginosas da União Europeia deve atingir 33,3 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 4,0% frente às 32,0 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. O crescimento será liderado pelo girassol, enquanto a colza deve permanecer em patamar historicamente elevado.
A safra de colza da União Europeia deve alcançar 20,4 milhões de toneladas em 2026/27, praticamente estável frente às 20,5 milhões estimadas para 2025/26. Apesar da leve queda anual, o volume segue próximo do maior nível dos últimos anos e confirma a recuperação estrutural da cultura no bloco.
A área colhida deve crescer 2,7%, para 6,3 milhões de hectares, estimulada por preços relativamente atrativos ao produtor. Segundo o USDA, França, Alemanha, Polônia e Romênia respondem por cerca de 75% da produção europeia de colza, consolidando-se como os principais polos da cultura no bloco.
O relatório destaca que a colza continua sendo uma das principais matérias-primas do setor europeu de biodiesel, fator que sustenta a demanda estrutural pela cultura.
Mais de 50% do óleo de colza produzido na França, por exemplo, é destinado à fabricação de biocombustíveis. Além disso, a eliminação gradual do óleo de palma da matriz europeia de biodiesel continua favorecendo o uso de matérias-primas regionais como a colza.
O esmagamento de colza no bloco deve permanecer praticamente estável em 25,05 milhões de toneladas em 2026/27, ante 25,0 milhões em 2025/26. Ainda assim, o consumo industrial continuará acima da produção local, mantendo a necessidade estrutural de importações.
As compras externas de colza devem permanecer em 5,8 milhões de toneladas em 2026/27, estáveis frente ao ano anterior. O bloco segue importando principalmente de Ucrânia, Canadá e Austrália.
A produção de óleo de colza da União Europeia deve atingir 10,52 milhões de toneladas em 2026/27, novo recorde histórico e leve alta frente às 10,50 milhões previstas para 2025/26.
O consumo industrial do produto deve avançar para 7,35 milhões de toneladas, já os estoques finais de óleo de colza devem cair 34%, para 255 mil toneladas, indicando mercado ainda ajustado mesmo com produção recorde.
No caso do girassol, a União Europeia deve registrar a maior expansão proporcional entre as principais oleaginosas. A produção está projetada em 9,9 milhões de toneladas em 2026/27, avanço de 14,3% frente às 8,66 milhões estimadas para 2025/26.
A área colhida deve crescer 5,2%, para 4,88 milhões de hectares, enquanto os rendimentos médios devem subir 9%, alcançando 2,03 toneladas por hectare, patamar alinhado à média quinquenal europeia. França, Romênia, Bulgária, Hungria e Espanha devem liderar a expansão da área plantada.
Segundo o USDA, o avanço do girassol vem sendo impulsionado pela preferência dos produtores por culturas mais resilientes à seca e com menor demanda por fertilizantes.
O relatório destaca que os preços de fertilizantes nitrogenados estavam 25% acima da média de 2024 em janeiro de 2026, tornando o girassol mais competitivo frente ao milho em diversas regiões do bloco.
Com maior disponibilidade doméstica e margens favoráveis, o esmagamento de girassol na UE deve crescer 9,5% em 2026/27, atingindo 8,5 milhões de toneladas. Os maiores aumentos de processamento são esperados em Hungria e Romênia, seguidos por França, Espanha, Portugal e Bulgária.
Ao mesmo tempo, as importações de semente de girassol devem cair 25%, para 640 mil toneladas, diante da maior oferta doméstica e da expectativa de menor disponibilidade exportável da Ucrânia.
A produção de óleo de girassol no bloco deve subir para 3,6 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 9,7% sobre as 3,28 milhões estimadas para 2025/26.
O consumo alimentar deve avançar 4,7%, para 4,71 milhões de toneladas, já as importações ainda devem crescer ligeiramente, para 2,35 milhões de toneladas, devido à forte demanda interna e à necessidade de recompor estoques.