As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 7,8 bilhões no primeiro trimestre, redução de 18,7% em relação a igual período do ano passado. Com isso, os Estados Unidos passaram a responder por 9,5% das exportações brasileiras — o menor nível da série histórica iniciada em 1997, mostra acompanhamento da Amcham.
“A mínima histórica da participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira neste primeiro trimestre reforça a importância de avançar no diálogo bilateral. Há espaço para reverter essa tendência, como indica a desaceleração da queda das exportações em março, mas isso dependerá de entendimentos que evitem novas restrições ao comércio entre os dois países”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
:: Desempenho contrasta com outros mercados
O resultado no trimestre contrasta com o crescimento das exportações brasileiras para o mundo (+3,5%) e para parceiros relevantes, como China e União Europeia. A corrente de comércio bilateral somou US$ 17 bilhões, queda de 14,8%, refletindo a retração tanto das exportações quanto das importações. Apesar do recuo, os EUA seguem como o segundo principal parceiro comercial do Brasil.
:: Queda disseminada das exportações
A retração foi disseminada entre os setores, com os seguintes impactos:
Indústria de transformação: -14,2%
Indústria extrativa: -39,1%
Agropecuária: -34,4%
As exportações industriais totalizaram US$ 6,6 bilhões, pressionadas sobretudo pelas tarifas que incidem sobre produtos de maior valor agregado.
:: Março traz sinais de desaceleração
Apesar do desempenho negativo no trimestre, os dados de março indicam desaceleração da queda. As exportações recuaram 9,1% no mês (vs. -18,7% no trimestre), sendo que 7 dos 10 principais produtos exportados registraram crescimento, com destaque para petróleo bruto (+321%), aeronaves (+85,8%) e máquinas elétricas (+73,4%).
Além disso, as exportações de produtos sem sobretaxas cresceram 15,1% no mês. A melhora está associada, ainda que parcialmente, à redução das tarifas após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no final de fevereiro.
:: Tarifas seguem no centro da atenção
As sobretaxas continuam sendo fator determinante para o desempenho das exportações, especialmente bens industriais. Atualmente, cerca de 45% das exportações brasileiras ingressam no mercado americano sem sobretaxas, enquanto o restante ainda enfrenta tarifas adicionais.
Levantamento da Amcham indica que 86% das empresas seguem apreensivas sobre o risco de novas restrições comerciais, indicando nível considerável de incerteza nos negócios bilaterais.
:: Importações recuam, com concentração em poucos itens
As importações brasileiras provenientes dos EUA somaram US$ 9,2 bilhões no trimestre, queda de 11,1%, concentrada principalmente em máquinas e petróleo. Excluindo esses itens, o fluxo de importações permanece resiliente.
:: Perspectivas: incerteza no curto prazo e espaço para recuperação
O cenário para os próximos meses permanece incerto, diante da possibilidade de novas medidas tarifárias nos EUA, bem como da imprevisibilidade na conjuntura internacional. Por outro lado, a moderação na queda das vendas observada em março, combinada com o aumento na participação de produtos sem sobretaxas na pauta exportadora brasileira e à demanda americana consistente, indica a possibilidade de recuperação gradual ao longo de 2026.