O Federal Reserve (Fed) divulgou nesta quarta-feira (8) a ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), realizada nos dias 17 e 18 de março, indicando que a autoridade monetária dos Estados Unidos optou por manter a taxa básica de juros no intervalo de 3,5% a 3,75%, em meio a um cenário de inflação ainda elevada e aumento das incertezas globais.

O documento mostra que a decisão foi amplamente consensual entre os membros, com apenas um dirigente, Stephen I. Mira, defendendo um corte de 0,25 pontos-base. A maioria avaliou que a atual taxa está próxima de um nível neutro, permitindo ao banco central aguardar novos dados antes de qualquer ajuste.

Entre os principais pontos destacados na ata, está a preocupação com a inflação, que segue acima da meta de 2%. Em janeiro, o índice de preços ao consumidor medido pelo PCE estava em 2,8% no acumulado em 12 meses, enquanto o núcleo da inflação atingia 3,1%.

O conflito no Oriente Médio ganhou destaque como fator relevante para o cenário econômico. Segundo o Fed, a alta expressiva nos preços do petróleo — com avanço de cerca de 50% nos contratos mais próximos — elevou as expectativas de inflação no curto prazo e aumentou a volatilidade nos mercados financeiros.

Apesar disso, os dirigentes avaliam que esses impactos podem ser temporários, embora reconheçam que uma escalada prolongada do conflito pode tornar a inflação mais persistente.

No campo da atividade econômica, a ata aponta que o crescimento segue sólido, com expansão do PIB e consumo resiliente. Ainda assim, o mercado de trabalho mostra sinais mistos: a taxa de desemprego permanece estável em 4,4%, mas a geração de empregos tem sido moderada, levantando preocupações sobre uma possível desaceleração futura.

Os membros do comitê também destacaram riscos crescentes para o cenário econômico. De um lado, há risco de inflação persistente acima da meta; de outro, sinais de fragilidade no mercado de trabalho, que pode reagir de forma mais intensa a choques negativos.

Diante desse equilíbrio delicado, a ata reforça que a política monetária não segue um caminho pré-determinado. O Fed destacou que poderá tanto reduzir quanto elevar os juros, dependendo da evolução dos dados econômicos e dos riscos ao seu duplo mandato de controle da inflação e pleno emprego.

Por fim, o documento indica que a expectativa majoritária é de que eventuais cortes de juros ocorram apenas mais adiante, caso a inflação retome uma trajetória consistente de queda, reforçando o tom cauteloso da autoridade monetária no atual contexto global.