Conforme o novo Relatório VIP da DATAGRO Pecuária, com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a exportação de carne bovina do Brasil no primeiro trimestre de 2026 somou 331,3 mil toneladas em equivalente carcaça — avanço de 7,1% contra o mesmo mês do ano anterior, porém desacelerando o ritmo de crescimento interanual frente aos primeiros dois meses de 2026.

Além do avanço no volume enviado, a consultoria destaca o avanço nos preços, puxado pelas restrições de oferta em mercados-chave e do efeito de dosagem nas remessas à China. A DATAGRO estima que a média atual já esteja próxima de US$7,00/kg, o maior patamar desde outubro de 2022, com potencial para renovar os recordes de US$6,80/kg observados em junho de 2022 nos próximos meses.

Aos níveis atuais estimados de precificação e câmbio, a indústria exportadora mantém rentabilidade positiva apesar da alta nos custos de originação de bovinos terminados e da depreciação do Real. Essa solidez repousa fundamentalmente na dosagem estratégica das remessas à China, onde volumes desacelerando compensam preços em alta. Enquanto o crescimento das exportações arrefece, a precificação avança consistentemente, refletindo exatamente esse efeito de contenção.

No entanto, esse mecanismo corre risco real de perda de eficácia no médio prazo.  O preenchimento da cota chinesa, esperado no início do 2º semestre, tende a reverter a trajetória de preços e pressionar a rentabilidade. Se a cota australiana também se saturar simultaneamente, Brasil e Austrália ofertarão volumes elevados ao mercado residual em paralelo, o que pode reforçar as limitações à sustentação dos preços de exportação.

Para maiores detalhes, acesse o Relatório VIP na sessão de análises do Portal DATAGRO.