A redução da área plantada de trigo no Brasil deve levar o país a uma importação recorde, próxima de 8 milhões de toneladas no ciclo 2026/27, tornando o mercado externo a principal fonte de abastecimento, projeta o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR). O Paraná concentra a maior indústria moageira de trigo do país, respondendo por 30% da produção nacional de farinha.

Mesmo com o equilíbrio global entre oferta e demanda garantido, o abastecimento brasileiro seguirá dependente da fluidez do comércio internacional, o que deixa a indústria moageira mais exposta ao cenário externo em preços, disponibilidade e qualidade de seus principais fornecedores.

Embora o balanço global indique estoques elevados, a conjuntura mostra uma forte concentração desses volumes em poucos países exportadores, enquanto diversas regiões importadoras permanecem estruturalmente deficitárias. Dessa forma, o equilíbrio do mercado depende menos do volume total disponível e mais da fluidez do comércio internacional.

No curto prazo, o quadro é tensionado pela entressafra nos principais exportadores do hemisfério norte, como Estados Unidos, Europa e Rússia. Nesse período, a oferta física imediata se torna mais restrita, elevando a dependência dos estoques e aumentando a sensibilidade do mercado a fatores como clima, geopolítica e movimentação de fundos. Como consequência, os preços internacionais permanecem firmes, mesmo diante de um balanço global teoricamente confortável.

Para o Brasil, essa dinâmica reforça a centralidade do mercado externo na formação de preços, uma vez que as paridades de importação são determinantes para o abastecimento interno. Nesse contexto, o trigo argentino se destaca como a origem mais competitiva pela proximidade logística e inserção no Mercosul.