A Turquia deve importar 980 mil toneladas de algodão em 2026/27, alta de 4,3% sobre as 940 mil toneladas estimadas para 2025/26, segundo relatório anual do adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Ancara.
De acordo com o relatório, a produção turca de algodão deve cair para 525 mil toneladas em 2026/27, ante 665 mil toneladas em 2025/26, refletindo uma retração de cerca de 21%. A redução é atribuída à expectativa de encolhimento de 22% da área plantada, pressionada por preços fracos da pluma, inflação elevada e aumento dos custos de produção.
Mesmo com a queda da oferta local, o consumo da indústria têxtil turca deve permanecer em 1,45 milhão de toneladas em 2026/27, o mesmo nível projetado para 2025/26. Isso mantém a Turquia fortemente dependente das importações para abastecer suas fiações e tecelagens. Pela tabela de oferta e demanda do relatório, o volume importado em 2026/27 equivalerá a quase 68% do consumo doméstico da fibra.
Os dados comerciais do USDA mostram que, na primeira metade de 2025/26, a Turquia importou 375.604 toneladas de algodão, volume 16% maior que no mesmo período de 2024/25.
Nesse intervalo, o Brasil foi o principal fornecedor, com 158.397 toneladas, o equivalente a cerca de 42% das importações turcas no período. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 85.025 toneladas e 23% de participação, seguidos por Grécia (46.951 t), Azerbaijão (40.742 t) e Síria (17.138 t).
O relatório destaca que o Brasil já havia ultrapassado os Estados Unidos em 2024/25 e deve manter essa dianteira em 2025/26 e 2026/27, favorecido por preços mais competitivos.
A indústria têxtil segue como base da demanda por algodão no país, mesmo em um ambiente econômico difícil. O USDA observa que o setor turco perdeu competitividade frente a produtores da Ásia e do Norte da África, com custos de confecção cerca de 60% maiores que os do Leste e Sudeste Asiático e 40% acima dos países norte-africanos, segundo associação do setor citada no relatório.
Com menor produção, as exportações turcas de algodão devem cair para 200 mil toneladas em 2026/27, abaixo das 210 mil toneladas estimadas para 2025/26. Já os estoques finais devem recuar de 537 mil toneladas para 392 mil toneladas, reduzindo a relação estoque/uso de 32,37% para 23,78%.