O Índice de Insumos para Produção de Leite Cru do Rio Grande do Sul (ILC) encerrou fevereiro com uma leitura deflacionária de 2,7%, conforme relatório divulgado pela equipe econômica da Farsul nesta segunda-feira (30).

A queda nos custos foi liderada pela cotação da soja e do milho, que encerraram com negativas de 4,2% e 2,4%, respectivamente. Isso impacta diretamente em alguns dos maiores custos da produção, o de silagem e concentrado. Fertilizantes também tiveram queda, de 1,72%, assim como combustíveis (recuo de 0,37%) e de energia, que caiu 6,7%, reflexo da sazonalidade favorável no primeiro trimestre.

No acumulado do ano, o indicador está com deflação de 4,49%. É uma dinâmica que converge com o índice do IGP-DI/FGV. A aderência entre as séries evidencia a persistência do processo desinflacionário e o seu repasse para os preços dos principais componentes da cesta de insumos do setor.

Apesar desses recuos, a situação do cenário geral ainda é preocupante. Existe um descolamento entre o custo de produção e o preço recebido. Ambos está em queda, mas o segundo de uma forma muito mais acentuada que o primeiro, o que acaba comprimindo as margens de lucro. Nos últimos 12 meses, o custo de produção caiu 7,7%, enquanto o preço recebido pelo produtor despencou 20%.

Para março, a expectativa é que o impacto de conflitos globais atinja diretamente a trajetória de custos do produtor e a situação atual se inverta, com altas no petróleo, fertilizantes e valorização da soja.