A Índia intensificou esforços para ampliar seus estoques de fertilizantes em meio às incertezas geradas pela guerra no Oriente Médio. A informação foi confirmada pela secretária adjunta do Ministério de Produtos Químicos e Fertilizantes, Aparna Sharma, nesta segunda-feira (30).

A estratégia envolve a busca por fornecedores alternativos e o fortalecimento da segurança de abastecimento para a safra de verão.

Antes do conflito com o Irã, a região do Golfo respondia por uma parcela relevante das importações indianas, sendo 20% a 30% da ureia e 30% do fosfato diamônico (DAP).

Com o aumento dos riscos logísticos e de oferta, o governo indiano passou a diversificar suas origens de fornecimento. “Foram tomadas medidas proativas adicionais para diversificar nossas bases de fornecimento, além dos países do Golfo”, afirmou Sharma.

A Índia já busca ampliar compras de países como Rússia, Marrocos, Austrália, Indonésia, Malásia, Jordânia, Canadá, Argélia, Egito e Togo.

Entre os acordos firmados, destaca-se a contratação de 2,8 milhões de toneladas de fertilizantes da Rússia, com logística via Cabo da Boa Esperança.

 

Estoques e demanda elevada

A Índia projeta necessidade de 39 milhões de toneladas de fertilizantes para a safra de verão, que se inicia em abril e se estende por seis meses.

Atualmente, o país conta com estoques de cerca de 18 milhões de toneladas, acima das 14,7 milhões de toneladas registradas no ano passado.

Além disso, o governo lançou uma licitação internacional para a importação de 1,3 milhão de toneladas de ureia em fevereiro, reforçando a estratégia de abastecimento.

Apesar dos esforços, a produção interna segue abaixo do normal. A produção mensal de ureia está em 1,8 milhão de toneladas, inferior ao patamar típico de 2,4 milhões de toneladas, devido à retomada gradual de fábricas após manutenções.

Segundo Sharma, os meses de abril e maio — considerados de menor demanda — são estratégicos para a formação de estoques antes do pico da safra.