A administração da cota de exportação de carne bovina para a China pelo governo federal ficou de fora da reunião desta quinta-feira (26) do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex).
Segundo apuração do jornal Valor Econômico, não há garantias de que a pauta entre nos próximos encontros, o que deverá fazer com que o governo brasileiro não arbitre o controle da cota neste ano.
Em carta enviada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) se posicionou contrária ao controle estatal, alegando que isso poderia afetar os preços recebidos pelos pecuaristas e criar “reservas de mercado” aos frigoríficos, com pressões regionais sobre a cotação da arroba bovina.
O posicionamento da CNA é contrário ao da indústria exportadora, que já enviou estudos econômicos e jurídicos ao Executivo para basear a criação de um sistema oficial de divisão dos volumes entre os frigoríficos.
Ainda de acordo com o Valor, apesar de se abster nesse primeiro momento, o governo federal não descarta uma intervenção mais para frente, caso haja reflexos nos preços internos da carne bovina.
Dados mais recentes da alfândega chinesa mostram que o Brasil já utilizou um terço da sua cota para este ano. No primeiro bimestre, a China desembarcou 372,08 mil toneladas de carne bovina do Brasil, o equivalente a 33,64% do volume total estabelecido para 2026 (1,1 milhão de toneladas). Cargas que forem enviadas após a utilização da cota serão sobretaxadas em 55%.