A Índia está em negociações para ampliar as compras de fertilizantes da Rússia, Bielorrússia e Marrocos, em meio a preocupações com a oferta global antes da temporada de plantio de verão, segundo fontes ouvidas pela Reuters nesta quinta-feira (19).

O país depende fortemente de importações de insumos como ureia, fosfato diamônico (DAP) e cloreto de potássio, além de gás natural liquefeito, matéria-prima essencial para a produção de fertilizantes nitrogenados.

Atualmente, o Oriente Médio responde por cerca de metade das importações indianas de DAP e ureia, com destaque para Arábia Saudita como principal fornecedora de DAP, e Omã como maior exportador de ureia ao país.

No entanto, as tensões geopolíticas na região, somadas às restrições nas exportações de fertilizantes pela China, aumentam o risco de escassez no curto prazo.

Segundo uma fonte do governo indiano, “temos mais estoques do que no ano passado, mas se a guerra se prolongar, as coisas podem ficar apertadas.”

Apesar de as empresas realizarem importações de forma individual, as negociações com fornecedores estrangeiros costumam ocorrer de maneira coletiva, devido à forte regulação do setor e aos subsídios concedidos pelo governo aos agricultores.

A pressão sobre a oferta tende a aumentar nos próximos meses. A demanda por fertilizantes cresce significativamente entre junho e julho, período em que os produtores iniciam o plantio de culturas como arroz, milho, algodão e oleaginosas.

Antes disso, o país costuma reforçar seus estoques entre março e maio, com a chegada de carregamentos de ureia e DAP — movimento que agora ocorre sob maior incerteza no cenário global.