A China está restringindo as exportações de fertilizantes para proteger seu mercado interno do risco de escassez, informou nesta quinta-feira (19) a Reuters. A medida amplia a pressão sobre a oferta global, já afetada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

De acordo com fontes do setor ouvidas pela agência de notícias, Pequim proibiu, em meados de março, embarques de fertilizantes à base de nitrogênio e potássio, além de algumas variedades de fosfato. Com isso, apenas um número limitado de produtos segue liberado para exportação, o que pode restringir entre metade e três quartos dos volumes exportados pelo país no último ano.

A China é um dos maiores exportadores globais de fertilizantes, com mais de US$ 13 bilhões embarcados em 2025. As restrições ocorrem em um momento de mercado já pressionado, agravado pela interrupção de fluxos logísticos no Estreito de Ormuz.

Ainda segundo a Reuters, os preços internacionais da ureia já acumulam alta de cerca de 40% desde o início deste mês, refletindo o cenário de escassez. Analistas projetam que cerca de 40 milhões de toneladas de fertilizantes podem ser retidas pela decisão do governo chinês.

A expectativa do mercado é que as restrições permaneçam ao menos até agosto, após o período de pico das exportações chinesas. A continuidade das medidas pode sustentar a pressão sobre os preços globais e afetar decisões de plantio em diversos países.