A Cargill suspendeu as operações de exportação de soja do Brasil para a China após mudanças no processo de inspeção fitossanitária adotado pelo governo brasileiro, informou nesta quarta-feira (11) o presidente da companhia no Brasil e do Negócio Agrícola para a América Latina, Paulo Sousa, em entrevista à Reuters.
Segundo o executivo, o Ministério da Agricultura (Mapa) passou a aplicar uma fiscalização mais rigorosa nas cargas destinadas ao mercado chinês, após solicitação do próprio governo da China.
De acordo com Sousa, o novo modelo de inspeção foge ao padrão utilizado no comércio internacional de grãos. Tradicionalmente, o setor trabalha com amostragens padronizadas feitas pelos próprios agentes de classificação. No entanto, o ministério passou a realizar a coleta das amostras diretamente, alterando o processo usual de verificação da qualidade do produto.
Sem a certificação fitossanitária, os navios não podem descarregar a soja nos portos chineses, o que tem gerado impacto imediato na logística das exportações.
Segundo ele, caso o impasse não seja resolvido rapidamente, há risco de paralisação mais ampla dos embarques de soja brasileira para o país asiático. A Cargill, afirmou Sousa, já suspendeu novas operações com destino à China desde a última sexta-feira (6).
O tema está sendo analisado pelo Ministério da Agricultura. Conforme o executivo, o ministro Carlos Fávaro discute o assunto com entidades do setor, como a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) e a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), em busca de um entendimento sobre os critérios de amostragem e classificação da soja destinados ao mercado chinês.